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E se os deuses do Olimpo estivessem vivos em pleno século XXI? E se eles ainda se apaixonassem por mortais e tivessem filhos que pudessem se tornar heróis? Segundo a lenda da Antigüidade, a maior parte deles, marcados pelo destino, dificilmente passam da adolescência. Poucos conseguem descobrir sua identidade. Os que realizam essa "façanha", por sua vez, são mandados para um lugar especial: O Acampamento Meio-Sangue, um campo de treinamento, o lugar mais seguro para uma criança semi-deusa, .
Ou pelo menos era, até Cronos começar a planejar sua volta.
O Titã está recrutando novos montros, colocando o mundo em perigo. A profecia está prestes à se cumprir, e Cronos tem um trunfo - ou finge ter - em seu poder : A Caixa de Pandora, feita por Hefesto, e que contém todos os males do mundo.

Escolhas serão feitas, partidos serão tomados. E, o mais importante: a profecia será realizada. 

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 Nós fugimos do desconhecido -fechado-

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Athilya Abnara
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MensagemAssunto: Nós fugimos do desconhecido -fechado-   Sex Maio 01, 2009 12:08 pm

Esse tipo de coisa só acontece comigo.

Eu aspirei o ar gelado da noite, e olhei por trás dos ombros a pálida silhueta da minha casa.

Da minha antiga casa.

Ignorei a dorzinha engraçada em meu nariz – que anunciava que eu choraria em breve – e corri mais rápido, apertando meus braços em torno do corpo.

Eu e Bernard tínhamos um plano simples: irmos até o porto, e comprarmos passagens no próximo navio que fosse para o continente. Eu esperava que conseguíssemos, e que as passagens fossem baratas, já que não tínhamos muito dinheiro, e precisávamos chegar nos EUA o mais rápido possível.

Por um segundo, eu me perguntei se era realmente necessário ir até lá – a costa de Long Island, segundo meu amigo sátiro. Será que não poderíamos lutar com o monstro aqui? Eu gostava muito de Kythnos, e de meus raros amigos. O que minha mãe diria para eles, by the way? E para minha escola?

Balancei a cabeça, em derrota. Hora errada para pensar coisas banais, Lya. Concentre-se em correr sem tropeçar, shall you?, minha consciência disse, e eu achei melhor concordar com ela.

Corremos por mais algum tempo, para finalmente chegarmos no porto.

Meus pulmões assobiavam, protestando contra o esforço repentino e eu apoiei minhas mãos nos joelhos, respirando fundo e tentando fazer meu coração parar de bater tão rápido.

Para minha incredulidade, eu podia ver tudo ao meu redor, apesar de já ser noite alta, e estava atenta para cada ruído nas redondezas.

Se bem que eu tinha certeza que sabia quando o monstro estaria perto – ele parecia ser imenso, pelo rastro de destruição que deixou.

Olhei para Bernard que estava com o mesmo semblante apreensivo de antes no rosto.

Eu aprumei minha postura, respirando mais uma vez.

- Afinal de contas, o que é essa coisa de que estamos fugindo? – exigi saber, me encostando numa árvore e cruzando os braços na frente do peito. Eu estava torcendo para não ser um daqueles monstros que eu já lera ou ouvira em lendas.

Eu estava me inclinando para orar para que fosse alguma coisa um tanto inofensiva, mas sabia que era inútil ter esperanças.

Eu tinha que rezar para que chegássemos vivos e inteiros até esse tal de Acampamento Meio-Sangue.
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Bernard Hill
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MensagemAssunto: Re: Nós fugimos do desconhecido -fechado-   Sex Maio 01, 2009 12:39 pm

Eu juro, essa seria minha última missão, isso se eu não tropeçasse em meus próprios cascos.

Eu estava apreensivo, droga, eu não podia deixar nada acontecer, eu nunca deixei algo acontecer e não seria agora que eu falharia, não com a pessoa que mais se tornou minha amiga.

Ainda me lembro das missões que já tive, essa, com certeza, estava sendo a pior, não pela pessoa, mas pelo pai ou mãe dela, se estávamos sendo perseguidos assim, algo a mais ela deve ter.

Eu não desisto fácil, portanto, vou até o fim, não vou sossegar enquanto não chegarmos no Acampamento, só não esperava encontrar mais nada além desse agora.

Aliás, eu não esperava encontrar nem com esse por enquanto, já estava sendo muito difícil para Athilya sem ter que encontrar com o monstro, pude notar quando reparei que ela olhava para trás, mais uma vez. Eles sempre demoram a se acostumar com a idéia de ficar longe de casa.

Minha respiração já estava alterada, assim como a dela, estávamos correndo muito, precisamos chegar ao porto o mais rápido possível e comprar as passagens logo.

Eu não estava conseguindo pensar direito, já que várias coisas passavam pela minha cabeça, estava sendo um pouco difícil me concentrar em uma só quando de repente Athilya se encostou em uma árvore e se virou para mim.

- Afinal de contas, o que é essa coisa de que estamos fugindo? -Eu balancei a cabeça diante da pergunta dela, eles sempre fazem perguntas do tipo.


-Você não vai querer saber
. - Eu disse enquanto a puxava em direção ao navio mais próximo, só para chegar lá e me lembrar que ainda tínhamos que comprar as passagens.

Fomos até o local para comprar as passagens enquanto ela queria porque queria saber o que estava nos seguindo.

Eu olhei para o céu, estava uma noite fechada, o tempo até ontem estava aberto, mas eu sabia o motivo porque tinha fechado, eu sabia o porque de tudo isso, mas, será que eu realmente queria falar? Não seria melhor ficar quieto e levá-la em segurança, ou pelo menos tentar, até o Acampamento?

Eu suspirei fundo e soltei de uma vez o que era, seria melhor enfrentar algo sabendo o que era não? Pelo menos eu esperava que sim.


-O quintípede é um animal carnívoro perigosíssimo com um certo gosto por humanos.
-Eu acho que não precisava ir além disso, mas comecei a ficar nervoso com tudo isso e fui soltando cada vez mais informações- Seu corpo atarracado e rente ao chão e coberto por pelos castanho-avermelhados, do mesmo modo que suas pernas, que terminam em patas tortas. Ele é encontrado na ilha de Drear, ao largo do extremo norte da Escócia, razão pela qual a ilha foi considerada imapeável.


Eu olhei para ela e tive certeza, tinha falado demais, mas era isso que dava quanto ficava nervoso, falava demais, gaguejava demais e por aí vai.

Comecei a ir em direção ao navio, tínhamos que ir até o fim agora.
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Athilya Abnara
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MensagemAssunto: Re: Nós fugimos do desconhecido -fechado-   Dom Maio 17, 2009 12:47 am

Okay. Eu podia lidar com uma aranha de cinco patas me perseguindo.

Eu acho.

Assim que as palavras saíram da boca de Bernard, eu hesitei. Queria voltar correndo para casa, para o colo da minha mãe e debaixo das minhas cobertas. Segurei as lágrimas. Que droga! Por quem-quer-que-seja-meu-pai, eu nunca choro! Quando você é criada cercada por garotos, você aprende que chorar é horrível.

Eu não sei porque insisti.

- Vamos, Hill, não pode ser tão ruim assim! – atormentei o juízo dele, até que ele suspirou e finalmente respondeu a minha pergunta.

Era melhor eu não ter sabido mesmo. Minha respiração falhou, e meus olhos se arregalaram de pavor.

- Não precisava ser tão detalhista, garoto-bode – ofeguei, depois que tínhamos comprado as passagens e entrado no navio, que sairia dentro de pouco tempo.

Desabei no meu assento, repentinamente exausta. Tínhamos que chegar a Atenas em pouco tempo, e depois pegarmos um avião até os EUA – eu catara meu passaporte, e minha mãe fizera uma autorização as pressas para mim, já que Bernard tinha uma identidade falsa, que o fazia ser maior de idade.

- Vai me dar pelo menos uma espada, Bernard? Vai ser meio difícil nos matarmos nossa amiguinha Aragogue sem uma.
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Bernard Hill
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MensagemAssunto: Re: Nós fugimos do desconhecido -fechado-   Ter Maio 19, 2009 10:43 pm

- Não precisava ser tão detalhista, garoto-bode.
-Isso é o que dá quando eu fico...- Acho que não seria nada bom se eu falasse que eu estava nervoso, isso sempre complica as coisas, ainda mais quando o motivo que me deixa nervoso é saber que posso falhar, balancei minha cabeça automaticamente e logo notei que eu não tinha concluído minha frase - ...err, quando eu fico com várias coisas na cabeça.
Ao entrarmos no navio e encontrarmos a nossa cabine, Athilya logo desabou em uma poltrona, eu pude perceber pela pequena janela que a noite lá fora continuava a mesma, o mar revolto, a chuva pesada...
Sentei na cadeira mais próxima a mim e tirei meus sapatos. Ah, como era bom me sentir livre, pelo menos parcialmente falando, olhei novamente para a porta da cabine para certificar que ela estava fechada, já temos problemas demais sem ninguém perguntando porque a pessoa tem cascos. Imaginem se desconfiassem que da minha cintura pra baixo eu sou bode.
- Vai me dar pelo menos uma espada, Bernard? Vai ser meio difícil nos matarmos nossa amiguinha Aragogue sem uma.
Nossa amiguinha? É, é meio difícil se acostumar com as ironias de hoje em dia, na época que eu nasci tudo era diferente...
Por que mesmo eu estava pensando na época que nasci? Tanta coisa para pensar...ah, a espada.
Concordei com a cabeça e catei minha mochila, que a essa altura estava jogada no chão, ah, o cheiro do aluminío, apesar de estarmos correndo do perigo, eu não posso deixar de me alimentar.
Comecei a mastigar a lata de coca enquanto procurava a espada.
-Aqui. - Eu disse enquanto tirava uma espada média de cor bronze da sua proteção, era tão simples, mas podia fazer tantas coisas...
-Olha, não é porque ela é média ou simples que não seja boa, tamanho não é documento. -Eu disse antes que ela pudesse protestar sobre a espada, afinal, ela seria de grande ajuda.
Com o tempo, Athilya dormiu, e apesar das minhas palpebras pesarem, eu não poderia dormir, eu tinha que protege-lá, como eu sempre faço com as pessoas, e além do mais...

Acordei umas dez horas depois com Athilya falando alguma coisa, mas eu só conseguia pensar em uma coisa.
-Fome.
E já fui pegando a mochila e procurando pelas minhas latas, a viagem ainda demoraria um tempo e tudo que queríamos era alguma coisa pra fazer, o que melhor do que comer? Já que não tinha nada melhor mesmo, tudo parecia estar mais calmo.
-Servida? - Eu disse apontando para as minhas latas, eu sei, ela não come, mas eu não sou mal educado.
Depois disso, as horas pareciam anos, as horas não passavam, nada acontecia, até que, ah, terra.
-Vamos para o aero -béee- aeroporto, desculpa. -Eu olhei para o lado para me certificar de que ninguém ouviu nada, e olhei para a cidade, e mesmo ali do porto, a vista era muito boa.

Spoiler:
 
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Athilya Abnara
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MensagemAssunto: Re: Nós fugimos do desconhecido -fechado-   Qua Maio 20, 2009 7:52 pm

Eu tinha uma espada.

Sim, você pode completamente maliciar a frase acima, mas eu estava um tanto aliviada quando senti a guarda de couro puído tocar meus dedos. A espada tinha um brilho diáfano, e eu percebi que era bronze celestial.

Me senti mais segura, e até um pouco mais relaxada. Nós não chegaríamos a Atenas até o anoitecer do dia seguinte, então, eu me ajeitei num sofá que era surpreendentemente confortável e me permiti dormir.

O mar me acalmava, sempre surtiu esse efeito em mim. Eu me sentia confortável enquanto as correntes balançavam o barco. Eu achava incrível o fato de que grande parte da Terra fosse coberta d’água, apesar do nome do planeta. Depois de “descobrir” os deuses, me surpreendi pensando o quão vasto era o reino de Zeus e Poseidon.

Consegui dormir como se estivesse ainda em casa. Acordei, e vi que Bernard caíra no sono. Sorri, vendo como ele se agitava todo enquanto dormia, balindo e balbuciando palavras desconexas. Me segurei para não rir e saí da cabine, para respirar um pouco do ar salgado.

Subi até o convés e me apoiei na amurada. Aspirei a maresia, feliz. Me lembrava de casa, algo que, apesar de não saber naquele instante, não ia conhecer a sensação por muito tempo.

Voltei para a cabine um pouco depois, e fiquei pensando em como seria minha vida de lá para frente. Bernard não me falara nada, mas eu sabia que ele tinha um palpite sobre quem meu pai era.

E não ia me contar.

Suspirei e olhei através do vidro temperado da micro-janela da cabine, abraçando meus joelhos com firmeza, e cantarolando alguma coisa, que depois reconheci como sendo uma cantiga de ninar em grego antigo, que minha avó cantava para mim.

Bernard acordou, e eu sorri.

Depois que ele me ofereceu latas e eu rolei os olhos, apontei para a janela com o queixo. O dia já estava alto, deviam ser umas três da tarde.

Bernard havia dormido muito, com certeza. Ficamos conversando por um tempo, e uma hora eu voltei para o convés, me inclinando na direção do mar, sentindo a brisa que vinha dele embaraçar meus cabelos, fazendo-os ficar uma verdadeira bagunça. Quando o capitão avisou que estávamos perto de aportar em Atenas, voltei a cabine e tomei um banho, sentindo aquela sensação de ‘limpeza-até-a-alma’.

Chegamos ao porto, eu e Bernard parecendo que estávamos fugindo de casa – e era exatamente assim que eu me sentia, com a jaqueta de couro de Bernard, e meu boné dos Yankees – de vez que fui com minha mãe aos EUA.

- Vamos para o – Bernard baliu, e eu gargalhei. Ele me fuzilou com o olhar, e nós olhamos ao redor, para conferir se ninguém mais tinha ouvido – aeroporto, desculpa.

- Você que manda, garoto-bode – sussurrei, por sobre a respiração, trespassando meu cabelo pela abertura da parte de trás do boné.

Andamos sem rumo por um tempo, e finalmente conseguimos informação sobre o próximo vôo para os EUA.

Que só sairia no dia seguinte.

Bufamos em conjunto, e decidimos comprar nossa passagem no dia seguinte, e passarmos uma última noite numa praia da Grécia – por mais que meu amigo sátiro insistisse de que não era seguro. Eu não queria arriscar ir a um hotel. E se o monstro nos achasse lá e matasse muitas pessoas inocentes? Eu não poderia viver com isso.

Nós achamos um lugar legal para montarmos acampamento: não ficava muito longe do aeroporto, mas ainda sim era deserto, com uma espécie de gruta, com a entrada cheia de pedras, onde a água do mar batia, fazendo um barulho aconchegante. Mais para dentro, havia uma parte de areia seca, e de alguma forma eu sabia que a maré não subiria até lá, onde estendemos nossos sacos de dormir – tinha certeza de que a mochila de Bernard era enfeitiçada, uma vez que ele tirava quase tudo de lá, e que não fomos barrados no detector de metais por causa da espada.

Eu saí do nosso esconderijo, para admirar as estrelas parcialmente encobertas pela poluição, e aspirar um pouco mais de ar marinho. As ondas geladas lambiam meus tornozelos enquanto eu andava com calma pela orla.

Então, perdi o fôlego, e meus olhos se arregalaram de pânico. Porque, há uns quinze metros de mim com uma expressão que, se fosse humana, seria um sorriso de vitória e ao mesmo tempo sarcástico, estava minha amiga Aragogue-de-cinco-patas.

Que os deuses me ajudem. Eu gritei Bernard, e ela atacou.
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MensagemAssunto: Re: Nós fugimos do desconhecido -fechado-   Sab Maio 23, 2009 2:45 pm

Sabe porque eu não gosto de aeroportos? Primeiro: se por algum acaso o meio-sangue que você está levando for filho de algum deus que tenha alguma briga com Zeus, tome cuidado, segundo: tem avião no aeroporto e ele voa, e se ele voa, ele pode cair certo? Eu sei, sempre temos que ter pensamentos positivos, mas, as vezes não conseguimos isso e terceiro, mas não menos importante: eles atrasam que é uma beleza.
Só teria vôo para o EUA amanhã, e enquanto isso teríamos que passar a noite por ali, com um monstro em nosso encalço, o que poderia ser pior?
Eu te falo, Lya decidir que queria acampar na praia para salvar pessoas inocentes, eu realmente concordo com ela, mas quem importa agora não é manter os outros vivos e sim ela. Mas ela, raramente, parecia ter o mesmo sentimento que eu, de cuidado...Err, soou estranho, mas vocês entenderam certo?
Montamos o nosso acampamento em um local seco e Lya saiu para fora da barraca, alegando que precisava de ar fresco, ao que tudo parecia, seria uma noite muito calma.
Enquanto ela saía, eu pude avistar lá fora as estrelas, é, eu sentiria falta do céu daqui, aliás, eu sentiria falta de quase tudo daqui, o lado bom de ser sátiro é que você viaja para muitos lugares, o ruim é que você sempre tem que dizer "adeus" para esses lugares. É lógico, tem mais lados positivos e negativos, mas é melhor ficar só por alto mesmo, cer...
Parei de súbito de pensar sobre isso quando ouvi um grito, um grito desesperado, um grito da Lya.
Saí da barraca e avistei, próxima a Lya o nosso velho amigo monstro, há, eu sabia, era calmo demais para ser verdade.
Corri de volta a minha mochila e peguei a espada, e comecei a correr de volta o mais rápido que eu pude, mas, estando ainda com sapatos a corrida não foi das melhores.
E do nada, havia uma pedra no caminho, droga, eu não poderia ter caído justo agora, Lya precisava de mim, mas até eu me levantar e tirar meus sapatos, perderíamos minutos preciosos.
-Lya, pegue a espada. - E joguei a espada o mais próximo que eu pude dela, e enquanto ela pegava a espada, eu me sentei e comecei a arrancar meus sapatos, eu tinha que fazer algo de útil, nem que fosse começar a cantar ali.
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Athilya Abnara
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MensagemAssunto: Re: Nós fugimos do desconhecido -fechado-   Dom Maio 24, 2009 11:58 am

Ótima hora para ele tropeçar. Eu quis gritar de frustração quando meu amigo veio ao chão, espalhando areia pra tudo quanto era lado.

Mas eu sabia que ele ficava mais atrapalhado do que já era por causa dos pés falsos, e eu não podia culpá-lo.

Aragogue investiu, e eu pulei na direção da espada, agarrando-a com as pontas dos dedos e sujando todas as minhas roupas e cabelos de areia.

Gemi ao ver o rasgo em meu jeans e o talho com sangue em meu joelho. Quem falou que areia não machuca? Eu certamente nunca mais diria isso.

Certo. Bernard não estava em condição de se defender ainda, então o lógico a se fazer era atrair a aranha gigante para longe dele até que ele pudesse de algum forma – qualquer forma – me ajudar. Inspirei fundo, e Aragogue correu em minha direção.

O mar, disse uma voz em minha cabeça. Leve-a para o mar.

Eu não fazia idéia de onde aquela vos sábia na minha cabeça tinha vindo, mas, analisando a situação toda, eu tinha mais chance indo para o mar, que de repente agitara-se, as ondas quebrando com violência nos meu pés.

- Aqui, sua aranha estúpida! Vem me pegar! – provoquei, apesar dos meus insultos não parecerem suficientemente bons.

Eu rosnei. Caramba, eles não tinham que ser bons, desde que levassem o monstro para longe de Bernard.

O bicho cravou seus olhos escuros como petróleo em mim, e eu senti um calafrio percorrer minha espinha. Okay, aquela mesma voz disse. Você está no mar. Você está segura no mar.

Era verdade. Assim que a água salgada lambeu minhas pernas, eu pude ver com mais clareza o monstro, e sentir a maré, ao meu favor.

Que estranho, pensei. O mar parecia que estava me ajudando.

Quando parei para analisar mais um pouco isso, o quintípede se aproveitou e pulou em cima de mim. Sem pensar, eu submergi e nadei para longe, desesperada. Depois, voltei a superfície, e meus pés já não tocavam mais o chão. Olhei chocada para a praia, bem mais longe. Eu não tinha nadado tudo isso, tinha?

O troço rugiu (eu não sabia que podia fazer isso, e meio que fiquei chocada quando ouvi o rugido), e investiu contra mim. Acreditei que aquela era a hora que iria morrer. Ia ser tão fácil para a aranhona me matar... era só pular em cima de mim. Eu desmaiaria e morreria afogada.

Simples.

Tá, tá, eu fiquei meio decepcionada quando achei que morreria daquele jeito. Parecia tão... fácil. Nem teve emoção...

Aí, a coisa surpreendente aconteceu. Eu desejei que uma onda viesse e engolisse o monstro, levando-o para mar aberto. Me senti estranha por um tempo, como se alguma coisa estivesse pressionando com muita força meu estômago. Prendi a respiração quando o mar se curvou a minha vontade e o quintípede olhou para mim, chocado, enquanto as correntes o arrastavam até sumir da minha vista.

Peguei um jacaré até a praia, sentindo alívio preencher cara poro do meu corpo.

Desabei na areia, minhas pernas tremendo por causa da descarga de adrenalina e fiquei lá por um tempo, sentindo a espada machucar minha perna e areia grudar-se como ferro num ímã no meu cabelo.

Suspirei e abracei meus joelhos, olhando para Bernard.

- Foi mais difícil do que imaginei – assobiei, minha voz tremendo. – Você está bem?
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Bernard Hill
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MensagemAssunto: Re: Nós fugimos do desconhecido -fechado-   Dom Maio 31, 2009 12:47 pm

Eu acho que fiquei sem reação diante de tudo aquilo, simplesmente esqueci que tinha que ajudá-la, que eu era o sátiro responsável por ela e que ela poderia morrer, ali, eu estava somente sendo alguém que tinha ido a um cinema e estava vendo um filme, de ação.

Só fui voltar a mim quando Lya entrou no mar, ela era louca ou o que? Além de poder ser morta, ela morreria afogada, e eu, o que poderia fazer?

Nada além de esperar ela retornar do mar, nunca fui um bom nadador, um dia terei que aperfeiçoar essa parte, mas acontece que esse um dia não me ajudaria hoje.

Levantei-me da areia e comecei a andar para cá e para lá, se ali não fosse areia,com toda certeza estaria se ouvindo o barulho dos meus cascos batendo, mas, sendo areia fofa, os meus cascos somente afundavam.

Quando me voltei para o mar de novo, Lya já tinha ido muito mais longe, e dessa vez, mesmo que eu não soubesse nadar muito bem, eu entraria naquele mar e que os deuses me protegessem.

Comecei a caminhar em direção ao mar, quando vi que não seria mais necessário, eu fiquei ali, parado, olhando estarrecido para aquela cena, o mar tinha praticamente engolido o quintípede e Lya voltava a praia novamente.

E enquanto Lya ainda não tinha saído da água, eu podia jurar que tinha visto um tridente brilhar acima de sua cabeça. Balancei a cabeça diante da visão, com toda certeza era só imaginação minha porque ela estava na água.

-Foi mais difícil do que imaginei – Lya disse, me tirando dos meus pensamentos, quando voltei meu olhar para ela, ainda assustado, notei que ela já estava sentada na areia e acabei desabando próximo a ela também - Você está bem?

Concordei com a cabeça, ainda incapaz de formular alguma frase decente sem gaguejar. E depois de um tempo refletindo, me virei para ela novamente. E dessa vez, o que vi não foi imaginação minha, nem tão pouco ilusão, estava ali, o tridente azul reluzindo.

Óh Styx, isso não era bom, nada bom mesmo.


-Ahn, Lya,nós não poderemos voar de avião ok?
– Disse, sem desviar meus olhos do tridente acima da sua cabeça, e pela primeira vez na minha vida, eu fiquei feliz dos aeroportos atrasarem, só os deuses saberiam do que poderia ter nos acontecido nos ares.
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Athilya Abnara
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MensagemAssunto: Re: Nós fugimos do desconhecido -fechado-   Qua Jun 10, 2009 7:57 pm



Ofeguei, exausta. Virei minhas costas para a areia, virando basicamente uma Athilya à milanesa. Respirei fundo, ar assobiando com dificuldade pelos meus pulmões. Tentei acalmar meu coração que parecia que ia sair do peito a qualquer minuto.

Bernard me olhou estranho por um tempo, e eu rolei os olhos, impaciente.

- O que houve?! – exigi, enquanto os olhos dele não deixavam minha testa.

Por um momento, pensei que a pancada em sua cabeça o tinha afetado de alguma forma, e arregalei os olhos em horror, ficando na mesma hora de pé. O guri metade bode não conseguia formular uma frase coerente, e estava mais apavorado do que eu.

Ficamos uns minutos em silêncio, eu controlando minha vontade de voar na direção de Bernard, sacudi-lo pelos ombros e berrar “REAJA, HOMEM!”.

Ele ofegou, e eu soltei um ar numa lufada de alívio. Ele só estava em choque, nada demais.

- Ãnh, Lya, nós não podemos voar de avião, ok? – ele disse, e meus olhos arregalaram-se de novo.

Certo. Ele tinha com certeza batido a cabeça com força. E estava delirando.

Cortei a distância entre nós, preocupada. Minha cabeça estava a mil, e eu só conseguia pensar que aquilo era culpa minha. Se eu não tivesse saído para andar... Ai, meu Deus, por que eu tinha que ser tão estúpida? Era totalmente minha culpa Bernard estar do jeito que estava!

- Ok, Bernard. Olha só, está tudo bem, você só bateu a cabeça com força... – eu fiz, pondo minhas mãos em seus ombros. Eu não queria que Bernard se machucasse. Eu tinha ele como um irmão mais velho, apesar de nós nos conhecermos há pouco tempo e ele ser, er, metade bode.

Subi minhas mãos até o rosto dele, e senti, com um espasmo de culpa, um inchaço leve na testa dele. Delicadamente, comecei a massagear suas têmporas – dada sempre fazia isso quando machucávamos a cabeça, e realmente ajudava. Bernard ainda olhava estranho para mim, mas deixou que eu continuasse a tentar fazer senti-lo melhor.

- Está melhor agora? – perguntei, soltando minhas mãos dele. O loirinho assentiu com a cabeça, e eu relaxei. – Certo. Agora vamos voltar para a barraca e dormir, porque amanhã temos que pegar o avião, e...

Quando ia terminar a frase, um som atrás de Bernard chamou minha atenção. Franzi as sobrancelhas e espiei por sobre seu ombro. A água borbulhava entre as pedras, fazendo um som gostoso, mas ainda assim era errado. Estava de noite, e não havia nenhuma fonte de calor para a água aquecer, então porque ela teimava em ferver?

Me desvencilhei de Bernard e peguei a espada de novo. Tá, eu não tinha muita experiência em monstros e tudo, mas eu sabia que águas borbulhantes do nada não são um bom sinal. Engoli em seco e me aproximei das pedras.

Quando eu cheguei perto o suficiente, aquilo explodiu. Eu gritei e me abaixei, protegendo minha cabeça e braços. Sério, eu tinha que começar a me acostumar com isso, ou seria morta com uma facilidade absurda, e eu não era isso o que eu queria.

A espuma do mar parecia chantilly quando eu me voltei para espiar. Então, ela se dissipou com uma rapidez estranha, e deixou uma pulseira.

Sem brincadeira. Uma pulseira. De pérolas multicoloridas. Era linda e super delicada, quando a peguei. Afastei as pérolas, e vi a corrente que as mantinha unidas. Não era nada que eu já havia visto, mas era lindo. Azul como o mar nos seus melhores dias, parecia inquebrável, e mesmo assim frágil. Só sei que amei o que vi, e senti meus olhos brilharem.

Depois, me lembrei quem eu era, as coisas estranhas que estavam acontecendo, e comecei a pensar nas coisas em que aquela pulseira podia ser. Minha mente vagou por algum tempo. Armadilhas. Veneno. Uma morte terrível. Um localizador.

Então, um pequeno detalhe chamou minha atenção. No que parecia ser o fecho da pulseira (eu não precisaria usá-lo, já que meus pulsos são finos demais), estava um tridente.

De repente, a pulseira pareceu fogo em minhas mãos, e eu a deixei cair na areia com um estampido. Ofeguei novamente, mas por um motivo diferente, e tudo se juntou na minha cabeça, como um quebra-cabeça bizarro.

Bizarro, mas que fazia total e completo sentido.

Voltei-me para aonde eu encontrara a pulseira, e palavras flutuavam perfeitamente, escritas numa caligrafia torta, porque estavam na água.


Espero que isso ajude. Precisarás.


- Poseidon? – perguntei, virando-me novamente para Bernard, minha voz tremendo, as pérolas da pulseira geladas contra minha pele.
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MensagemAssunto: Re: Nós fugimos do desconhecido -fechado-   Sab Jun 13, 2009 10:41 pm

Eu discordava com a cabeça enquanto Lya dizia que eu tinha batido, eu não tinha batido com a cabeça, mas de repente eu não estava mais tão bem, o perigo tinha passado momentaneamente.

Mas ele voltaria, e, eu não estava com medo, mas estava inseguro, o que isso poderia significar?

Mais um deles no mundo? Isso não era bom, nada bom, mas eu acho que não transparecia a segurança que gostaria de transparecer, já que Lya se aproximou de mim e começou a massagear minhas têmporas, aquilo era estranho, tanta coisa para se preocupar a partir de agora e ela estava fazendo aquilo?

-Está melhor agora? – Concordei com a cabeça só para tranqüiliza-la – Certo. Agora vamos voltar para a barraca e dormir, porque amanhã temos que pegar o avião, e...

-Lya, quantas vezes eu vou ter que responder, nós não vamos pegar... - E notei que ela nem estava prestando atenção no que eu dizia, ela tinha ido em direção ao mar.

O mar estava estranho agora, ele borbulhava e eu não sei dizer se pelo fato de outra filha do mar estar se aproximando ou se um monstro, sim, aquele monstro, estivesse retornando.

Mas só o que eu fiz foi observar enquanto ela se aproximava, olhando ali, meio que de longe. Me levantei da areia e comecei a andar calmamente até ela, e pude notar que ela estava com uma pulseira.

O-oh, isso não era bom, é incrível como quase todas as vezes que você está sendo perseguido e algo aparece no seu caminho, essa coisa costuma atrapalhar. Eu estava prestes a lhe falar para soltar a pulseira quando notei que ela olhava para baixo e li o que estava escrito ali.

-Poseidon?

Ela me perguntou com uma voz fraca, e, eu concordei com a cabeça, e de uma certa maneira me sentia até aliviado, essa pulseira, com toda certeza não seria uma armadilha ou algo do tipo.

-Viu? É por conta disso que não podemos ir de avião. -Disse em um tom quase autoritário, eu sabia que teria que explicar muitas coisas a ela, a promessa, a quebra da promessa por parte de alguns deles, será que eu deveria avisá-la que ela tem um irmão também?
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Athilya Abnara
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MensagemAssunto: Re: Nós fugimos do desconhecido -fechado-   Seg Jun 15, 2009 8:50 pm

Minha mente girava, as engrenagens trabalhando a mil por hora. Sério, mais um pouco e minha cabeça explodiria em um trilhão de pedacinhos. Meu coração batia na velocidade da luz, e eu apertei a mão que segurava a pulseira (com tanta força que fazia os nós dos meus dedos ficarem brancos) contra meu peito, respirando com dificuldade.

Desabei na areia, me sentindo como se tivesse corrido a maratona quatro vezes direto, sem parar nem para respirar. As veias de minha cabeça latejavam, e eu massageei minhas têmporas ferozmente.

- Viu? É por conta disso que não podemos ir de avião – a voz de Bernard me puxou de volta a realidade.

Olhei para o garoto-bode, meus olhos arregalados. Respirei o mais profundamente que podia, tentando acalmar meus nervos e processar tudo aquilo que tinha, tipo assim, acabado de acontecer.

Eu me lembrei das minhas aulas de mitologia e as histórias que dada sempre me contava quando eu pedia. Poseidon, o mais velho dos Olimpianos, Deus do Mar, tinha como Zeus, seu irmão mais novo e Deus do Céu, seu pior inimigo. Mesmo eles sendo irmãos, coisa que eu nunca entendi. Quero dizer, se eu tivesse um irmão – não que eu não tivesse primos suficientes para compensar a falta de um irmão, sabe – eu não brigaria com ele. Ao menos, não como os deuses fazem nas histórias, que eu sabia agora que eram realidade.

Tudo fazia sentido. O fato de eu sempre ter gostado do mar, por exemplo. Eu nunca ficava descoordenada dentro do mar. Mamãe mesmo já disse que eu sou outra pessoa assim que a água salgada entrava em contato comigo.

Yeaps. Coisas inexplicáveis eram quase uma rotina para mim, sabe como é. Você pode pegar como exemplo eu ser branca que nem neve (não que eu nunca tenha realmente visto neve) mesmo morando numa ilha megaensolarada na Grécia, onde por via e regra de conseqüência, todos são morenos.

Agora que o Deus do Mar tinha me determinado, a melhor coisa que eu fazia, de verdade, era ficar longe dos ares, e, consequentemente, do domínio de seu irmão mais novo e impiedoso. Não que Poseidon – desculpa, vai levar um bom tempo para ele merecer o título de ‘pai’ – seja inocente. Bem, veja só a Guerra de Tróia. Os troianos eram realmente legais – e mais bonitos no filme, Brad Pitt que me desculpe – e eu sempre torci por eles, mesmo sabendo que eles perderiam e eu mesma sendo grega.

E lá vou eu protelando de novo. ¬¬

- Legal. O avião nos pouparia muito mais tempo – resmunguei, me levantando e me espanando, agitando areia ao meu redor. Bernard semicerrou os olhos, protegendo-os da tempestade que eu causei.

Suspirei. Encarei as estrelas brilhantes acima da minha cabeça, e uma espécie de paz me preencheu. Respirei com entusiasmo o ar da noite e corri na direção dos domínios do meu pai, me jogando de cabeça na água gelada. Eu precisava entrar em contato com o meu lado divino se quisesse sair dessa viva. Eu vi, com um espanto, que estava completamente seca dentro d’água, e ri deliciada. Nunca, até aquele momento, tinha parado para pensar nos lados bons de ser uma meio-sangue – eu nem parei para analisar se haveria algum.

Saí da água com meu amigo loirinho olhando para mim como se eu fosse louca – e eu estava começando a achar que era.

- Ok, ok. Parei. Nós temos que analisar os fatos – eu comecei, sentando-me ao lado dele. A pulseira parecia pesar uma tonelada no bolso da minha Levi’s surrada por conta dos últimos acontecimentos. Eu a tirei do bolso e analisei todas as pérolas minuciosamente. Meus olhos pararam em uma particular – uma lilás, minha cor preferida. Suspirei pelo que parecia a milésima vez naquela noite e pus a pulseira no pulso. – Sem o avião, vamos demorar mais tempo aqui. Podíamos pegar um trem até Londres, e de lá outro navio. Se bem que o trem até Londres é caro... – gemi, derrotada, deitando de novo na areia, sem me importar mais com os grãos finos entrando por todos os cantos. – Mas antes... – me virei novamente para Bernard. – Sério, B. Existe mais alguma coisa – qualquer coisa – que eu precise saber? – perguntei, mordendo o lábio. Bernard fez uma cara de alguém que estava prestes a vomitar tudo o que tinha comido na vida – ewk! – e eu souber que a resposta seria horrível.
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Bernard Hill
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MensagemAssunto: Re: Nós fugimos do desconhecido -fechado-   Qui Jun 18, 2009 6:01 pm

Eu somente observava enquanto Lya pensava no que ela tinha acabado de ouvir, mal sabia ela que ainda teria muito mais para ouvir, muito mais.

-Legal. O avião nos pouparia muito mais tempo. -Eu arqueei minhas sobrancelhas diante do resmungo dela, com certeza, o avião nos pouparia muito mais tempo, nos tiraria mais tempo de nossas vidas também, mas para quê se preocupar com isso? Nos iríamos para o mundo inferior, um lugar tão legal não?

Antes que eu pudesse expressar em palavras o que eu estava sentido eu notei que Lya estava no mar e suspirei, nem tudo era só diversão como sair da água sem estar molhada.


-Ok, ok. Parei. Nós temos que analisar os fatos. - E ela se sentou ao meu lado e começou a olhar, novamente, para a pulseira que tinha ganhado. - Sem o avião, vamos demorar mais tempo aqui. Podíamos pegar um trem até Londres, e de lá outro navio. Se bem que o trem até Londres é caro...Mas antes...Sério, B. Existe mais alguma coisa – qualquer coisa – que eu precise saber?

Engoli em seco, eu não tinha sido pego de surpresa com a pergunta, eu sabia que teria, uma hora ou outra, que falar tudo, mas ela precisava ser tão direta assim?

-Primeiro de tudo: Tem certeza que precisamos ir de trem? Esqueceu de quem você é filha?


Isso, nada mais era que uma certa enrolação para falar os mais importantes, sim, eu não sou de enrolar, mas eu não sabia exatamente por onde começar: Percy? Cronos?

Suspirei profundamente e voltei meu olhar para o horizonte, o mar tinha voltado ao seu estado normal.

-Bom, você sabe da história dos três grandes, não? Poseidon, Hades e Zeus? - Ela concordou com a cabeça eu me senti mais aliviado por saber que ela se lembrava -Os filhos deles eram muito poderosos, veja bem, para ter uma idéia, a segunda guerra mundial foi causada pelos filhos deles, mesmo que a humanidade não desconfie disso, mas isso é outra história que outra hora eu te explico. – Dei uma pausa novamente. - E depois disso, eles decidiram que eles não poderiam mais colocar filhos na Terra. E fizeram um juramento sobre o rio Styx.

Quase que imediatamente, pode se ouvir um trovão, e por enquanto, eu achava que isso era o suficiente para ela saber, pelo menos por enquanto, ou talvez, é talvez eu devesse contar outra coisa para ela também.

-Bom, o juramento não foi respeitado, você é uma prova viva disso, e, bom, existe uma profecia que diz que, err, -Eu ainda estava pensando se tinha mesmo que dizer esta última parte a ela, e como dizer? Quase toda vez que fico nervoso, eu não falo coisa com coisa e solto muitos "bom" "ahn" "er". Respirei fundo e soltei, o pior, não eram as palavras, e sim os efeitos que elas causariam.- bom, a profecia fala que, um dos filhos dos três grandes, ao completar dezesseis anos, terá o "poder" de salvar ou destruir o Olimpo.

E parei por aí, acho que isso é o suficiente para ela digerir por enquanto, na verdade, nem sabia se ela tinha entendido o que eu tinha falado, não sabia se tinha atropelado as palavras, mas, eu falei. Quanto ao resto? Bom, o resto, só com o tempo mesmo.

-Ah, a propósito, você tem um irmão. – Eu disse enquanto sentava ao seu lado e olhava para ela esperando sua reação diante dessa última informação, essa, eu não poderia esperar para contar depois.
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Athilya Abnara
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MensagemAssunto: Re: Nós fugimos do desconhecido -fechado-   Sab Jun 27, 2009 8:41 pm

Quando as palavras deixaram a boca de Bernard, eu soube que era melhor elas terem ficado lá. Oras, veja o meu lado. Nas últimas duas semanas eu fiquei sabendo que


1) Os deuses do Olimpo existem;

2) Eu era filha de um deles, e meu pai não morreu num acidente como haviam me informado;

3) Meu melhor amigo era metade bode;

4) Eu era filha de Poseidon;

5) Poseidon fez um trato com seus irmãos para não ter mais filhos (e isso me inclui);

6) Existia uma profecia, dizendo que um filho de um dos Três Grandes vai decidir o destino do Olimpo, e falava muito provavelmente sobre mim.


Entende por que eu comecei a hiperventilar? Era coisa demais para uma menina digerir em tão pouco tempo! Eu nem tive tempo de me acostumar com a ideia de ser filha de um deus olímpico, de ser cruelmente arrancada do seio da minha família [é, eu sei que isso soou excepcionalmente dramático, mas não estou exatamente ligando], e, agora, um sátiro vem me dizer que eu não era para existir.

Minha reação não foi uma das melhores. Eu gritei e escondi o rosto nas mãos, frustrada. O que me consolava era que deveria existir um motivo forte para que Poseidon quebrasse o pacto. Muito provavelmente, ele amava a minha mãe, e achava que, com ela, valeria a pena desrespeitar o acordo, mesmo que fosse o mais sagrado, sobre o rio Styx. Isso me fez respirar aliviada e me acalmar. A ideia de Poseidon amando Selene me acalmou, e eu me permiti relaxar.

- Ah, a propósito, você tem um irmão – Bernard terminou de falar, e eu olhei para ele com os olhos arregalados.

Devo admitir que sempre quis ter um irmão – a vida de filha única era solitária demais, mesmo tendo um número incontável de primos. Se o Deus do Mar não tivesse amado minha mãe, ela certamente o fizera, porque nunca se casou de novo. Pena que ela nunca soube que eu fui o fruto do romance dela com Poseidon. Acho que ela ficaria feliz, já que eu nasci num barco, enquanto minha avó levava mamãe até um hospital com mais recursos, na ilha vizinha.

E lembra-se daquelas coisas que eu disse no início? Acrescente “Descobrir um irmão perdido” no meio delas. Minha cabeça, que já estava latejando de dor, trabalhou ainda mais, e eu pressionei minhas têmporas com um gemido, lágrimas escapando dos meus olhos. Já disse e repito, coisas demais para serem processadas de uma vez só! Poxa, não podiam existir intervalos entre as revelações que mudariam minha vida?

Senti os braços de Bernard ao redor dos meus ombros e o abracei, as lágrimas jorrando livremente. Ele múrmuros aquelas coisas que as pessoas sempre dizem quando choramos: “Não fique assim,” “Tudo vai acabar bem,” e etc. Esses tipos de coisas me deixavam realmente irritada.

Ele me soltou e eu enxuguei as lágrimas rudemente com o punho, sujando ainda mais meu rosto com areia. Olhei para B. e apoiei o queixo nas mãos. Ok, Lya, você tem um irmão. Isso não é o fim do mundo, você nem precisava estar chorando! Afinal de contas, por que diabos estava chorando?!, a vozinha agora irritante na minha cabeça exigiu, e eu rolei os olhos. Okay, eu muito raramente chorava, mas, naquela hora, eu estava pura e simplesmente com vontade de chorar. Isso por acaso é um crime?!

- Me fala sobre o meu irmão – a palavra soou estranha quando eu a disse. Chamar alguém de ‘irmão’ sem nem ao menos conhecer a pessoa era estranho. Quer dizer, eu considerava Bernard um irmão, por causa de tudo o que estávamos passando juntos, e ele estar me protegendo. Mas um menino que eu nunca vi? Como iria chamá-lo de irmão? Engoli em seco e prossegui. Para mim, as pessoas tinham que merecer títulos, e não simplesmente ganhá-los porque compartilham DNA com você – Como ele é? Qual o nome dele? Quantos anos ele tem? Ele sabe dessa profecia? Será que ele vai gostar de mim...? – disparei,a última pergunta sendo mais para mim mesma, que dirigi os olhos e encarei interessada os grãos de areia aos meus pés. Jesus – será que ele existiu? Que seja, velhos hábitos nunca mudam –, eu tinha um irmão. Isso era tão... legal.
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Bernard Hill
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MensagemAssunto: Re: Nós fugimos do desconhecido -fechado-   Qua Jul 01, 2009 8:20 pm

Eu acho que todas essas informações pressionam demais uma pessoa só. E tive certeza disso depois que despejei que ela tinha um irmão. A reação dela foi algo surpreendente, porque, bom, porque ela começou a chorar, assim, do nada.

Ok, do nada não, eu acho que até a compreendo, eu que não devia ter soltado tantas coisas assim de uma vez só, mas, já foi. E o que estava por vir, era a pior parte : o consolo.

Não me leve a mal, eu sou uma boa pessoa, mas sou uma boa pessoa que não é bom com palavras, compreende? Eu nunca fui do tipo que dá conselhos, mas uns poucos que eu dou costumam dar certo, mas, aqui não é uma situação para dar conselhos, era?


-Não chore Lya, vai ficar tudo bem.
-Eu disse a abraçando também, mas, como eu tinha certeza que iria ficar tudo bem? Tá certo, eu tenho que passar uma imagem confiante, mas confesso que não sabia mais o que pensar. - E outra, não deve ser tão ruim assim descobrir que tem um irmão.

Bom, pelo menos eu acho que não, não que eu queira descobrir que tenho irmãos mas, sei lá, temos que ficar preparados não? E, tá, eu sei que ela não estava chorando só por conta do irmão, e sim por tudo, mas, o meu consolo, infelizmente, ainda não abrange uma grande área.

-Me fala sobre o meu irmão...Como ele é? Qual o nome dele? Quantos anos ele tem? Ele sabe dessa profecia? Será que ele vai gostar de mim...?

Nesse exato momento eu voltei meu olhar para o mar e comecei a pensar sobre as questões, bem que Poseidon poderia me ajudar nas respostas, não? Mas, eu sabia que ele não faria isso. Dei um longo suspiro e me preparei para começar a falar.


-Bom, ele é como todo meio-sangue, certo?
-Eu nunca fui bom em descrever os outros, mas, ao perceber o olhar da Lya, tentei pensar em como descrevê-lo - Ele é moreno, um pouco alto e, você o verá quando chegarmos no Acampamento. O nome dele é Percy, Percy Jackson, ele tem 15 anos e sim, ele sabe da profecia, ele foi informado dela pela amiga dele, a Annabeth, uma adorável filha de Athena.

E parei para refletir na última questão, senão a pior de se responder. Bom, já encontrei pessoas que não gostam dele, mas já encontrei muitas que o adoram, acho que ele é que nem Thalia, se você não o ama, você o odeia, mas a pergunta não era se ela iria gostar dele, e sim o contrário.

-Lya, o Percy realmente é uma pessoa legal, eu tenho certeza que ele irá gostar de você, ele gostou do Tyson.

E pude notar um olhar indagador seu sobre essa última resposta, acho que ela queria saber quem é Tyson, mas, dessa vez eu não vou falar mais nada, foi muita informação para um dia só.

-Longa história, outro dia talvez.

Off: Sorry o post e a demora >.<
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MensagemAssunto: Re: Nós fugimos do desconhecido -fechado-   Seg Jul 13, 2009 9:50 am

As capacidades de descrição de Bernard me espantaram, sinceramente. Se houvesse alguma forma de ele ser mais vago, iria merecer um recorde, ou algo assim. Eu sabia que meu irmão deveria ter algo parecido comigo, como os cabelos, ou os olhos. Eu tinha certeza quase absoluta sobre os olhos, uma vez que ninguém da minha família tem olhos claros.

Bernard prosseguiu, falando sobre como eu iria vê-lo no Camp, e que ele iria gostar de mim, claro. Quanto a essa parte, eu ainda fervilhava de incerteza. Quero dizer, do nada ele ganharia uma irmã mais velha. Sei que eu não reagiria bem a isso, e o exemplo perfeito foi eu ter me desfeito em lágrimas poucos minutos atrás.

Engoli em seco. Não tinha mais certeza de nada àquela altura do campeonato. A única certeza que eu tinha era que precisávamos, com urgência, ir até Long Island. E, sem o avião, não ia ser uma viagem exatamente rápida, sabe como é. Puxei o ar para dentro dos meus pulmões com violência e me levantei.

- Vamos, B. Temos que dormir e pegar um navio.

Era verdade. O navio era nossa única opção, uma vez que se eu subisse mil metros no ar, meu tio fofo e querido me arremessaria além da ionosfera.

Espanei displicentemente e da melhor forma que podia a areia de minhas roupas e cabelo. Não daria para tomar banho, não agora. Eu esperaria até que tivéssemos embarcado, e nos instalado numa cabine.

Encarei o céu novamente, pela primeira vez percebendo que nada, nunca mais, seria a mesma coisa. Nunca tinha parado para pensar nisso – admito que, em algum lugar no fundo de minha mente, eu pensava que poderia voltar a ter uma vida normal, com amigos, família, até mesmo um namorado. Naquele instante eu percebi que ser um semideus é tudo, menos normal.

O que eu mais quis, naquele momento, foi ser normal. Sem monstro de cinco patas saído diretamente de Harry Potter para me pegar; sem ser uma violação do pacto; sem um melhor amigo sátiro (que Bernard não me ouça. Eu o adoro, mas é meio difícil ignorar seu traseiro peludo). Eu queria estar em casa, debaixo de cobertas, assistindo reprises de Friends, ou fazendo chocolate quente.

Infelizmente, não seria assim. É, estou destinada ao fracasso.

Fim


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