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E se os deuses do Olimpo estivessem vivos em pleno século XXI? E se eles ainda se apaixonassem por mortais e tivessem filhos que pudessem se tornar heróis? Segundo a lenda da Antigüidade, a maior parte deles, marcados pelo destino, dificilmente passam da adolescência. Poucos conseguem descobrir sua identidade. Os que realizam essa "façanha", por sua vez, são mandados para um lugar especial: O Acampamento Meio-Sangue, um campo de treinamento, o lugar mais seguro para uma criança semi-deusa, .
Ou pelo menos era, até Cronos começar a planejar sua volta.
O Titã está recrutando novos montros, colocando o mundo em perigo. A profecia está prestes à se cumprir, e Cronos tem um trunfo - ou finge ter - em seu poder : A Caixa de Pandora, feita por Hefesto, e que contém todos os males do mundo.

Escolhas serão feitas, partidos serão tomados. E, o mais importante: a profecia será realizada. 

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 Jackie Swann - Deméter's

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Gaia
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MensagemAssunto: Jackie Swann - Deméter's   Qua Jun 24, 2009 4:46 pm

Dados do Player:

Nome do player: Ayla Mendonça
Comunicadores/E-mail: ayla_mendonca@hotmail.com
Idade: 15
Personagens (cite, inclusive, suas espécies): x

Dados do Personagem:

Nome: Jackie Swann
Data de Nascimento: 25/08/1991
Idade: 17
Local de Nascimento: Nova Iorque
Filiação (pai ou mãe olimpiano): Deméter
Características Psicológicas:
Sua característica marcante é o sarcasmo e a irresponsabilidade. Sempre vira a noite em festas – ou virava – e gosta de uma boa diversão. É divertida quando quer e sempre extrovertida, mas se irrita com grande facilidade o que é um perigo, já que não é nenhum pouco equilibrada.
Tem TDAH assim como a irmã, mas nunca chegou a ponto que assustasse os pais, pois não tinha nenhum componente de hiperatividade - exceto quando exagera nas doses de álcool. É impulsiva, não pensa muito nas coisas que fazem e não consegue dar atenção a alguma coisa por mais de cinco minutos, sempre sendo chamada de distraída.
É bem fechada e não se abre com facilidade para as pessoas, ainda mais depois da morte dos pais, mas nunca foi de demonstrar sentimentos, pois os considera fraqueza.
Não é facilmente passada para trás e gosta de enfrentar seus inimigos no punho, acha que é a única forma de dar a eles o que merecem e nunca se importou muito com limites.
Simplesmente rebelde e radical ao extremo.
Características Físicas: igual a Amber
Artista Utilizado: Hilary Duff
Breve introdução a Biografia:
Eu estava sendo injusta. Eu sei que estava. Injusta e falsa, porque, por mais que eu abrisse sorrisos para Amber, não era assim que eu verdadeiramente me sentia e não era ali que eu queria estar.
Uma tola e insolente, afinal, nós tínhamos tudo naquele acampamento, colegas, amigos e, acima de tudo, uma mãe, mas isso não completava o vazio que eu sentia de ter uma família.

Biografia:
Não havia se passado muito tempo desde que nos mudamos para o suposto acampamento de verão de Josh. Acho que só alguns meses, mas eu já havia me acostumado com toda aquela rotina e aquelas pessoas nos cercando, mesmo que a idéia de um novo lar ainda não tivesse entrado em minha mente. Lar, para mim, significava família e a única família que eu tinha lá era Amber, fora ela mais ninguém, mesmo que lá eu tivesse uma mãe e diversos irmãos, eles não eram o que eu chamava de família, meu conceito de família era um tanto quanto restrito a pai, mãe e irmã, afinal eu vivi 16 anos nessa situação e de repente eu não poderia me acostumar com tantas mudanças, ainda mais com uma mudança brusca quanto a que estamos passando. Quer dizer, num dia nós somos a família perfeita de Nova Iorque e no outro estamos morando com nossos tios ocupados demais para nos notar, então nada é tão simples quanto parece.

Eu sei que eu não deveria estar me lembrando disso e sei que quanto mais eu martelava essas recordações mais elas iriam doer, mas era inevitável, sempre que eu estava sozinha elas vinham e era como uma enxurrada difícil de controlar, a única coisa que eu podia fazer era deixá-las vir e não permitir, em hipótese alguma, que Amber descobrisse que eu ainda chorava a noite quando ela não estava por perto.

“Era outubro de 2008, eu e Amber tínhamos 16 anos, já que somos gêmeas com a diferença de 33 minutos dela para mim, algo que ela gosta de jogar na minha cara, como se fosse 33 anos mais velha, mas tudo bem, ela é mais madura de qualquer forma.
Nossos pais estavam terminando de arrumar as malas e eu não estava me importando muito com isso, apenas me limitei a assistir o noticiário da tarde enquanto Amber os ajudava com as coisas, nunca fui muito de estar grudada a eles como ela, então apenas esperei que descessem para me despedir.

Eu queria ir naquela viagem. Não que eu realmente quisesse ir naquela viagem, só não os queria deixar irem sozinhos e talvez por isso estivesse jogada na sala com uma revista na mão e uma televisão ligada desnecessariamente, enquanto bem podia estar curtindo o fim de semana com os amigos, mas o caso é que não tenho amigos ou não acho ninguém que mereça, não que eu seja totalmente anti-social e fechada no meu casulo afastado do mundo, não, isso é drama demais para o meu gosto, na verdade, eu tenho colegas, isso mesmo, pessoas que sorriem e fazem palhaçada, pessoas com quem gosto de passar meu tempo, mas não o tipo de pessoa que eu posso contar quando estou com um problema bem grande para resolver. Acho que essa única pessoa realmente é Amber, já só ela esteve do meu lado quando eu mais precisei e esse mais precisei não é do tipo 'quebrei uma unha do pé ou perdi um dente', eu precisei mesmo e ela estava lá quando eu fiz a maior burrada da minha vida, coisa que nem nossa mãe e nunca nosso pai saberão, porque, se eles descobrissem que a filhinha deles não é mais pura e casta, eles nunca me perdoariam, por mais arrependida que eu estivesse e por mais que eu me forçasse a esquecer isso. Se bem que não ando fazendo um bom trabalho tentando esquecer a minha 'primeira e única vez'.

Okay, Jackie! Eu respirei fundo e trabalhei minha mente a fim de ficar com mais raiva dos meus pais por não nos levar na viagem, do que odiar meu passado.
Meus pais deviam saber o motivo de eu não os estar ajudando, nem gargalhando de alegria pelo fato de deixar eu e Amber em casa, com nossa tia, enquanto estão se divertindo em um cruzeiro luxuoso. Sei que um pouco é egoísmo meu e sei que eles merecem um descanso às vezes, aliás, o cruzeiro era mais como uma segunda lua de mel, onde aconteceriam coisas que acontecem em lua de mel e onde, possivelmente, fariam um irmãozinho para mim e Amber se, claro, não se cuidasse.

Dane-se também! Tem vezes que odeio até a mim mesma por não ser menos radical e mais amável, mas eu não podia simplesmente fingir uma contentação por aquela viagem e nem eu mesma sabia explicar o motivo, só dei isso o fato de que não queria ficar sozinha sem meus pais no fim de semana onde geralmente nós íamos pescar ou acampar, mas não que o fim de semana fosse ser chato, talvez eu desse uma festa em casa e chamasse a turma de motoqueiros do colégio ou talvez eu aceitasse a proposta deles e fosse com Amber outro dia nessa viagem. Não sei ainda, mas acho que a primeira opção seria mais vingativa, então a descartei e como boa moça iria com Amber outro dia em outro navio.

Ponderei sobre subir e dizer minha decisão à eles ou continuar ali embaixo vendo minha revista e apreciando minha televisão. De fato, só vendo, já que ler parecia algo impossível para mim e para Amber, que temos dislexia. Dizem que herdamos de papai e mamãe, mas todos os dois podem ler perfeitamente, assim como liam para nós quando éramos mais novas, então prefiro aceitar minha condição e não fazer mais perguntas, não tenho nenhum um pouco de curiosidade de descobrir que tenho atraso mental e por isso ajo desta forma. De qualquer modo, eu via as figuras na revista e logo já podia entender sobre o que dizia a matéria, por isso papai comprava revistas e livros de gravura, dizia que incentivava o cérebro, por mais que eu me achasse uma criança por isso, gostava de ver as revistas que comprava.

Eu suspirei alto quando notei passos vindo em direção a sala, descendo as escadas sem a cautela de segurar no corrimão. Aquela mulher de cabelos dourados e radiantes e um par de olhos verdes que brilhava como esmeraldas descia com um sorriso que na certa fora o que encantou meu pai, o homem logo atrás dela, de raiban e calças jeans. Eu sabia que havia herdado um pouco do meu estilo desleixado com ele, mas nem de longe eu ficava tão bonita quanto aquele homem de quarenta e poucos anos com cabelos negros como a noite e olhos castanhos cor de chocolate, no mínimo eu parecia uma rebelde sem causa querendo criar estilo, mas meu pai não, ele tem estilo.

- Jaqueline Swann. - chamou mamãe e eu fiz uma careta pelo nome, joguei a revista de lado e me levantei. - Não vai se despedir? - eu sorri e me aproximei dela, ela estava linda e radiante, como sempre, metida em eu vestido longo e florido e cheirando a rosas, seu perfume enjoativo porém único que uma vez eu havia derramado no tapete de sala e levada uma bronca enorme por isso.
- Até logo mamãe! - disse abrindo meus braços para abraçá-la e sentir seu toque leve acariciando meu cabelo
- Te amo querida! - me disse se afastando um pouco e olhando em meus olhos, eu sorri e murmurei
- Também te amo! - por mais isso que parecesse sentimentalismo demais para mim achei que a hora fosse própria para declarações. Mamãe se afastou e foi se despedir de Amber, enquanto eu corria para os braços de papai.
Eu sempre tive ligação maior com John do que com Luize, não que eu o amasse mais, os amava igual, mas acho que eu era mais parecida com meu pai, sempre aprontando e me rebelando, algo que, na certa, ele fazia muito na minha idade, assim como me contava.
O abracei apertado enquanto ele murmurava um "te amo" bem baixinho em meu ouvido e cantava a nossa música
- I've lived a life that's full - cantou me rodopiando pela sala e era o único momento em que eu me permitia ser careta e sorrir como a platéia de um circo - I've travelled each and every highway - continuou e eu o seguia cantando, mas não tão afinada quanto a sua voz grossa. Saímos rodopiando de braços dados enquanto mamãe Amber riam e eu, entre risadas e rodopios, tentava acompanhar seu ritmo - And more, much more than this - e ele terminou, me parando de frente para si e segurando meu rosto entre suas mãos, murmurou - I did it my way.
Eu sorri abestalhada e o abracei de novo, enquanto sentia o olhar de mamãe e Amber recaírem sobre mim e eu sabia que isso se devia ao fato de eu quase nunca demonstrar emoções, mas, poxa, não quer dizer que eu não tenha sentimentos, eu tenho, mas na maioria do tempo deixo eles aquietados dentro de mim, porque demonstrar sentimentos é demonstrar fraqueza, segundo meu pai, exceto quando esses sentimentos forem para ele, mamãe e Amber.
- Que foi? - perguntei olhando para mamãe e Amber com uma cara zangada, tinha voltado ao meu normal
- Deixem a garota. - papai disse, se afastando para se despedir de Amber com um abraço apertado e eu continuei no mesmo lugar, não tão sentimentalista como antes, mas sorrindo, de qualquer forma.

-x-

Aquele dia tinha sido a melhor e a pior da minha vida. Estava sendo a melhor até meus pais saírem pela porta e apanharem um táxi. Estava sendo a melhor quando eu e Amber resolvemos que não iríamos a escola naquela tarde e que tiraríamos o resto do dia para assistir TV e fazer coisas de melhores amigas. Estava sendo o melhor até quando eu me deitei na minha cama e sorri esperando que a manhã chegasse logo. Se eu soubesse o que viria a seguir não teria desejado tanto para que a manhã chegasse.

Foi tudo muito rápido, num dia eu e Amber nos divertíamos em casa, dias depois íamos ao enterro de nossos pais e tudo que sabíamos, exceto como morreram, é que estavam mortos. Sem detalhes, o navio havia afundado e eles nunca mais voltariam para casa e eu nunca mais teria um 'melhor dia da minha vida', porque simplesmente não podia ser melhor quando a melhor parte estava faltando.

Eu não me lembro bem o que aconteceu durante o velório, só que muita gente, poucas conhecidas, nos abraçavam e choravam e se lamentavam, enquanto eu só queria ficar ao lado da minha irmã, o único pedaço da família que tinha restado. Quanto ao resto das pessoas eu as deixava em suas lamentações, sem poder dizer quais eram reais e quais eram fingidas.

Na verdade, o que mais me lembro foi o que aconteceu depois do enterro. Depois de horas seguidas de pessoas nos cercando eu e Amber fomos para nossa casa - mesmo que fosse estranho usar essa palavra agora - arrumar as malas antes que fóssemos para casa de nossos tios, pessoas distantes, até então.
Em casa, nada era igual, mesmo que os móveis estivessem lá e nada tivesse saído do lugar, faltava alguma coisa, tinha um vazio que não seria facilmente preenchido, eu sabia que aquele frio, na verdade, aquela ausência de calor, era a saudade, a falta deles e seria quase impossível não chorar depois de voltar àquela casa.

Eu não subi direto para meu quarto para arrumar as malas, sinceramente, não estava ansiosa para morar com pessoas desconhecidas, preferia que só eu e Amber continuássemos lá, em nossa casa, ainda que fosse difícil nos acostumar, era melhor do que tentar nos acostumar com uma rotina totalmente diferente com pessoas diferentes e eu não conseguia me situar bem em lugares assim.

Eu respirei forte quando subi as escadas, degrau por degrau, me lembrando da última manhã que nós os vimos, nunca me dei bem com recordações, mas naquele dia eu me permiti deixar a frieza de lado e ser mais sentimentalista, mesmo que eu não quisesse, seria impossível controlar as lágrimas.


Última edição por Gaea em Qua Jun 24, 2009 5:18 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Jackie Swann - Deméter's   Qua Jun 24, 2009 4:47 pm

Adentrei o corredor, logo depois da escadaria e em vez de ir em direção ao meu quarto e ao de Amber, fui para o lado oposto, o quarto de nossos pais.
Era estranho que a casa estivesse tão impecavelmente limpa e o marfim do piso brilhando, sabia que alguém havia estado lá, talvez a tia que ficou conosco enquanto eles viajavam no maldito cruzeiro. Não me importei, continuei caminhando a passos lentos para o quarto deles e meus dedos roçando a parede branca do corredor, como se eu quisesse resgatar qualquer coisa que me lembrasse deles. Tinha medo de esquecê-los.

Não olhei para ver se Amber estava no seu quarto, nem queria que ela me visse daquele jeito, não era justo para ela ter que sofrer e agüentar os meus sofrimentos, ela já fazia muito tomando conta de todos os detalhes, estando no controle o tempo todo e não se permitindo parar.
Não queria isso para ela e nem para mim, mas como ninguém tem força sobre o destino, eu apenas ignorei essas divagações e continuei andando reto, já quase alcançando a porta de marrom rútilo do quarto deles.
Uma estranha sensação de medo, antes de girar a maçaneta, me afligiu, mas eu não me deixei parar, eu precisava ver o quarto deles pela ultima vez, estar no lugar que eles estiveram e me lembrar deles, por menor que fosse essa lembrança, não podia deixar ela desaparecer.
Adentrei o quarto, sentindo um cheiro comum de rosas e loção pôs barba, eu soube, naquele momento, que o único quarto da casa o qual nossa tia não tinha coloca as mãos era o quarto deles, porque não tinha o cheiro de lavanda igual do resto da casa, era o cheiro deles, das coisas que eles usavam, do que usaram antes de viajar.
Eu sorri com isso, por mais que esse sorriso não tenha atingido meus olhos marejados, e me aproximei da cama, onde ainda tinha o vestido vermelho de minha mãe e os sapatos surrados do meu pai, coisas que eles optaram não levar na viagem.
Eu me sentei sobre a cama e tentei não olhar para a porta, mas foi inevitável, tive de conferir se Amber não tinha me visto, por sorte ela deveria estar em seu quarto enquanto eu fugia para o abrigo das minhas recordações.
Olhei para meu lado e vi o vestido longo e vermelho, cravejado com strass brilhantes na altura do busto. Era simples, mas quando Luize o vestia tornava-o maravilhoso, como se passasse para ele todo o seu brilho natural. Passei minha mãe sobre o vestido, o acariciando de leve, sobre a cama e não pude deixar de lembrar quando ela o usou no natal passado, estava linda, simplesmente linda, eu agradeceria se tivesse puxado ao menos um pouco de sua beleza, mas estava contente de ter herdado todos os meus genes de meu pai, exceto a cor do cabelo - puxei para minha avô paterna - loiro, que eu havia pintado de preto, primeiro para me diferenciar de Amber, segundo para me parecer mais com John, impossível, por mais parecida, eu jamais teria aquelas feições retas e aqueles olhos cintilantes.
Suspirei e me deitei sobre a cama, abraçada ao vestido, não tinha chorado, porém, só estava sorrindo, como se lembrar fosse o bastante para preencher o vazio, mesmo eu sabendo que não era.
Era mais dolorido do que confortante e não demorou para que essa idéia fizesse as lágrimas virem com mais pressa, como se eu caísse na real e visse que nada era o suficiente para me lembrar deles. Tentei contê-las com um soluço, mas não adiantou e só serviu para que Amber, me espiando atrás da porta, ouvisse e se aproximasse da cama, onde eu estava deitada.
- Jackie. - ela murmurou, dando a volta pela cama e se deitando perto de mim - Shiu... - ela sussurrou em meu ouvido, passando a mão pelo meu cabelo, como mamãe fazia quando tínhamos algum pesadelo. Não restava dúvidas, agora era ela quem cuidaria de nós, apesar de nossa diferença de idade não ultrapassar um dia, ela ainda se sentia nessa responsabilidade e eu sorri com isso. Na verdade, ela tinha mais sanidade e maturidade do que eu, então era melhor que ela tomasse as rédeas da situação, como sempre fazia quando eu me metia em alguma furada. Só que eu não deixaria que ela fizesse tudo sozinha, eu estaria ali, como apoio, para qualquer momento e eu sabia que isso significava mais responsabilidade, coisa que eu adquiriria com o tempo, mesmo a custa de muito esforço.
- Agora somos só nós. - eu murmurei, enquanto ela ainda acariciava meu cabelo e assentiu, com um simples "sim", sussurrado. Pela primeira vez, depois de tudo aquilo, eu tinha algum tipo de esperança e, mesmo que fosse difícil, eu não iria abandoná-la.

-x-

As coisas estavam saindo melhor do que eu havia julgado, Amber e eu estávamos bem, apesar de tudo e já até voltávamos a nossa rotina normal. Quero dizer, não tão normal quanto antes, já que estavamos em uma casa nova, com pessoas novas, mas as coisas comuns, como ir para o colégio ou ter aulas extras de literatura, continuavam as mesmas, monótonas e cansativas, mas tanto melhor do que ficarmos naquela mansão enorme e solitária. Porque, vejam bem, apesar de termos nossos tios, eles não eram o que poderíamos chamar de presentes, para além disso, na realidade sequer existíamos para eles que ou estavam presos ao seu trabalho ou estavam tirando férias em Dubai. Pelo amor de Deus! Como uma pessoa pode esbanjar tanto quanto aquela mulher?
Mas não importa, a mansão era, na maior parte do tempo - ou o tempo todo - minha e de Amber. Ah! Claro, e da empregada Tonya que aparecia mais em casa do que nossos estimados tios.

Não estava importando muito com a falta de uma família em casa, ou a falta de um lar, isso eu sabia que não teria volta. No entanto, estava mais preocupada com o recomeço das aulas. Era terrivelmente assustador o primeiro dia de aula. Não só por ser em uma escola diferente, mas porque seríamos tratadas como animais de circo, a começar pelos alunos que não nos conhecem e depois pelos professores com a insistência de apresentarnos a classe. Porque, cargas d'água, nos apresentar a classe? Os alnos vão nos conhecer de qualquer forma, que diferença faz?

Eu acertei minha postura frente a penteadeira, olhando minha imagem desgastada no espelho. Cabelo bagunçado e implorando por uma escova, roupas largas e nada modernas - blusa branca e calça preta - um all star preto e uma mochila do exército. Estava ótima! Talvez isso bastasse para botar medo nos alunos, quem sabe, talvez se eu fosse com uma camisa da Suástica ajudasse, mas não sou o tipo que apoia o Nazismo, se quer saber.
Eu me virei para a porta e levantei do banquinho que estava sentada, peguei a mochila em cima da cama e me dirigi para o quarto de Amber que era do outro lado do corredor e acho que até eu chegar lá a colégio já tinha fechado e com sorte pegaríamos a terceira aula. Optei por gritar, mesmo que não fosse educado. Que se lixe a educação:
- AMBS!! - gritei o mais alto e mais grosseiro que pude - Anda logo!
- Já vai! - respondeu do outro lado e eu, dando de ombros, me empenhei a descer os degraus da escada com o cuidado de não deslizar no tapete vermelho de veludo. O que aquela mulher tinha na cabeça de colocar um tapete liso e escorredio em uma escada? Mesmo sendo simples, eu preferia mil vezes a nossa antiga casa, pelo menos tinha uma escada descente e um corredor pequeno.
- Já estou indo... - ecooei pela casa, terminando de descer os degraus e me aproximando da porta.
Amber veio logo depois, correndo e eu já até podia vê-la rodando escada a baixo, enquanto fechei meus olhos e dei um tapa leve na minha testa. Por sorte antes que acontecesse um acidente ela chegou voando até a porta, ou quase isso.
- Maltido tapete! - murmurei abrindo a porta e saíndo em direção ao carro.

Meu carro era um Impala vermelho e desgastado, mas ainda era meu carro e eu tinha o maior apego a ele, não só porque comprei ele com meu dinheiro suado da lanchonete - nunca aceitei mesada dos meus tios e sempre gostei de trabalhar como garçonete, fosse pela boa freguesia ou por um dos meus colegas de trabalho de olhos verdes. Eu era apegada ao carro porque era meu primeiro carro e eu tinha me esforçado horrores com aquele maldito tutor de direção.

Eu ainda suspirava pelo novo banco traseiro de couro sintético preto, quando parei o carro em frente ao colégio e desci junto de Amber, notando, já de cara, os olhos curiosos nos seguindo desde à saída do carro até entrarmos no jardim.

Aparentemente era um colégio bonito. Tinha, na entrada, um jardim bem cuidado e árvores cercando todo o caminho de cimento até a porta de entrada. O prédio não era dos mais novos, tinha uma pintura desgastada cor creme e os vidros embaçados da enorme porta de ferro da entrada, mas ainda sim tinha ser charme Nova Iorquino, com um enorme sino na torre, que tocava quando dava a hora certa de entrarmos para as salas.
Então ele tocou, estrondoso e sonoro, anunciando que os alunos deveriam entrar no colégio e se dirigir as suas salas.

Eu faria o mesmo que eles se, claro, se soubesse onde era minha sala.
Eu Amber nos entreolhamos, com dúvida, mas então subimos os degraus e passamos pelo portão, junto de um aglomerado de estudantes, eu tinha a esperança de que um deles nos ajudasse, mas eles pareciam não nos ver, quer dizer, eles nos notavam e até demais, mas sequer percebiam que nós estávamos com um pequeno problema que era: NÃO ACHAR NOSSA SALA!
- Ótimo! - murmurei andando pelo corredor de piso cinza e tentando me desviar dos alunos, tarefa quase impossível, mas consegui chegar a diretoria antes que fosse pisoteada.

O diretor não foi tão desprezível quanto achei que seria. Na verdade ele foi até educado e devo dizer que não é o tipo de diretor careca e mal humorado, esse tinha os cabelos negros e os olhos azuis cintilantes, eu quase babaria por isso e pelo seu sorriso branco, não fosse a imensa aliança dourada na sua mão esquerda.
Tudo bem, no momento eu só agradeceria pelo fato de ele nos levar para nossa sala e, ainda por cima, nos dizer qual o nosso armário amassado e cinza. Não sei se Amber percebeu mas eu só respondia monossilabicamente ou chacoalhando a cabeça e isso se dava ao fato de eu estar me perguntando como um diretor de uma escola de Nova Iorque pode ser tão sarado? Não sei, isso é uma das dúvidas que um dia eu pretendo responder em um livro, se eu de fato tiver paciência para escrever um.

O decorrer das aulas foram bem. Descobri que meu professor de Literatura é gay e que odeia a professora de Química por ser casada com o diretor. Nos demos bem nesse ponto. Ah e também concordamos que o professor de Educação Física poderia usar menos bomba.
Exceto o professor de Literatura, não conversei com mais ninguém. Digo, a Amber não conta, nós conversamos todos os dias, eu me referia a mais ninguém desconhecido.

E assim foi, semanas sem conversar com mais ninguém exceto Amber e o professor de Literatura: Leo, que, devo dizer, se não fosse gay daria um belo pedaço de mal caminho, até porque ele era bem mais encorpado que o professor de Educação Física.
Mas a semana passou rápido e o fim de semana mais ainda, felizmente, eu não gostava muito de fins de semana e passava a maior parte deles dormindo até quase anoitecer, depois me levantava e saia sem rumo pelas ruas frias da madrugada. Acho que Amber não sabia dessas minhas escapadas e nem pode saber, além do mais o que faço é somente andar, nada da qual vou me arrepender futuramente e novamente.

Na semana seguinte que chegamos ao colégio as coisas tinham se acentado, as pessoas já não nos olhavam tão curiosas e até arriscavam se aproximar para questionar de onde éramos e o que fazíamos naquela escola. Mas a única pessoa que se aproximou de verdade foi ele: Josh Calling que junto de mim e Amber formávamos um trio.

Não que Josh tenha se aproximado mesmo, do tipo, bem direto, na verdade ele foi tímido, o que, de cara, já chamou a atenção de Amber, eu apenas o achava um garoto legal, bonitinho, perfeito, mas para minha irmã, não para mim. Aliás, perfeito para nenhuma das duas, porque Amber não vai sair com um carinha estranho o qual sua primeira manifestação foi um bilhete pequeno escrito "oi". Ela se encantou, eu sei só pela cara que fez, mas eu não deixaria que ele se aproximasse tão depressa, no mínimo tinha que me convencer. Devo admitir, porém, não foi difícil de tornarmos amigas dele, principalmente Amber que parecia se dar melhor com o loirinho do que eu, só na minha, mesmo que eu fosse amigável e extrovertida com ele, nunca passara disso. Acho que ele fazia mais o estilo de Amber e eu, conhendo bem minha irmã, sei que ele havia prendido a atenção dela, talvez até demais, coisa que me fazia ficar desconfiada e sempre de olho nele quando dormíamos em sua casa ou ele na nossa, mas, por sorte - a dele - nunca aconteceu nada demais exceto brincadeira de amigos, coisa que eu sempre vigiava. Por mais que Amber deixasse claro que a nova "mãe" era ela, eu ainda tinha que cuidar para que nada acotencesse à minha irmã, nem que eu tivesse que cortar alguns membros de alguns garotos - não Josh porque ele nunca me deu motivos e ele e Amber até que ficam bonitinho juntos. Mas só isso, na mais pura inocência.

As semanas passavam depressa, os meses voavam por nossa cabeça e eu já até havia me acostumado a passar os fins de semana com Josh e Amber, seja tomando sorvete ou assistindo filmes de terror, os passeios a noite havia cessado e eu me sentia bem melhor ultimamente, conforme o ano ia passando e eu ia convivendo com mais pessoas, dentre elas muitas do colégio que já haviam se tornados nossos amigos - mesmo que continuassem me achando uma estranha rebelde.
Amigos realmente eu continuava tendo só Amber e - ainda que nunca fosse admitir - Josh. Um trio quase perfeito - seria perfeito se Josh fosse uma garota e eu não precisasse tanto averiguar as atitudes dele e de Amber quando estão juntos -, mas nada é perfeito, como sempre digo.
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MensagemAssunto: Re: Jackie Swann - Deméter's   Qua Jun 24, 2009 4:50 pm

No quinto mês que estávamos no colégio, já tínhamos nos acostumado com quase tudo, exceto os eventuais amassos do diretor e da professora de Química - fiquei pasma, os dois realmente se amavam ou tinham um fogo incessável.
Josh ia sempre na nossa casa e nós na dele e muitas dessas visitas acabava em Josh e Amber tagalerando sozinhos e eu sendo completamente ignorada pela minha irmã e meu amigo. Tudo bem, Amber estava feliz, eu estava feliz, por mais que não demonstrasse isso. Eu sorria muito, é claro, mas acho que até mesmo Leo - o professor de Literatura - tinha notado que esses sorrisos nunca eram completos e poucas vezes se refletiam em meus olhos.
Eu não demonstrava sentimentos, porque, como John dizia, isso é fraqueza e depois que nossos pais morreram isso se acentuou mais em minha vida, como se eu precisasse disso para continuar dando um passo de cada vez, vez por vez. De fato tinha coerência afinal, se eu não tivesse - ou não demonstrasse - sentimentos talvez eu fosse sofrer menos e garanto que eu já sofri o bastante para não querer passar por mais doses de coisas assim, além do que sentimentalismo é um defeito, uma fraqueza, ao menos no meu ponto de visto, já Amber não era nada discreta em relação à Josh e eu sabia que tinha alguma coisa ali, coisa que ela própria me contava, aliás.

Bem, num desses fins de semana que nos encontramos, Josh resolveu nos presentear com um livro.
No começo achei estranho, porque ele sabia que nós não sabíamos ler, toda a escola sabia, no entanto ele disse que esse nós leríamos e iríamos amar.
Dei de ombros e entreguei o livro a Amber, enquanto os deixei sozinhos para subir para o terraço de casa . Eu costumava ficar lá, mesmo que meus ouvidos estivessem atentos a qualquer barulho de alerta na parte de baixo da mansão, ainda sim gostava de dar um pouco de privacidade a Amber e Josh, privacidade no limite, mas o bastante para que eles fizessem as coisas deles, que eu esperava não passar de brincadeiras infantis como fazer cócegas ou guerras de travesseiro. Era bom assim, uma amizade pura e nada mais.

Eu abri a porta do terraço e fui recebida com uma brisa forte da noite, penteando meus cabelos para trás. Dei alguns passos pelo vazio do local cimentado.
Não tinha absolutamente nada lá. Nossos tios tinham reservado aquele lugar para servir de depósito, mas não havia muita tralha na casa e tudo que tinham jogado lá, até hoje, era um sofá velho - nem tão velho - e um tapete manchado, que só por uma mancha já não servia mais para minha tia.
Eu me aproximei do sofá. Em noites como aquela de lua cheia eu me deitava no sofá e ficava sentindo a neblina noturna molhando meu cabelo e meu rosto, mesmo que não fizesse bem para meus pulmões.
Deitei no sofá, como de costume e tirei meus sapatos, jogando eles de lado, perto do tapete.
Era uma vista realmente linda. Toda a cidade parecia envolvida por uma luminosidade típica das casas e postes, mas ela ia além de seu limite, se expandia no céu e brilhava como se fosse uma lâmpada acesa.
Eu sorri olhando a paisagem. Não costumava me prender a coisas bobas como essa, mas no momento tinha sido o bastante para me fazer refletir sobre muitas coisas, coisas essas que eu costumava simplesmente ignorar 99% do dia.
Eu pensei em mim e em Amber, nos nossos pais e nos nossos tios, pensei em Josh e seu presente inusitado e pensei também no colégio e nos nossos colegas, aqueles que eu simplesmente conversava, mas não me sentia tão a vontade quanto perto de Amber e Josh.
Minha mão passeou pelo meu braço até encontrar o que procurava em meu pulso. A pequena pulseira com um pingente em forma de trigo que havíamos ganhado de nossos pais ao nascermos. Eu não sabia absolutamente nada do seu significado, mas deveria ser algo importante que eles não tiveram tempo para nos contar.
Dei de ombros e me acomodei mais ao sofá, fechando meus olhos e lutando contra a claridade das luzes ao longo do terraço.
Não achei que fosse dormir tão facilmente, não só por estar preocupada com Amber e Josh sozinhos lá em baixo, mas também por causa dos meus pensamentos que, apesar de confusos e curtos, eram o suficiente para me manter acordada por um bom tempo.

Na manhã seguinte acordei em meu quarto. Não sei bem como fui parar lá, mas me lembrei vagamente de Amber me arrastando até minha cama e eu a seguindo como se fosse uma zumbi. Fiquei feliz de ter tido uma noite tranqüila, geralmente meus sonos são bem agitados.
Meus olhos se contraíram em contato com a luz crua da manhã que invadia as janelas e penetrava a cortina de meu quarto.
Eu me levantei de vagar e joguei o lençol de lado, me espreguiçando e quase rendendo a vontade de me jogar novamente no colchão. Não fosse o fato de que se eu me deitasse não me levantaria antes das duas da tarde e isso não era muito bom num domingo ensolarado, coisa comum em Nova Iorque em épocas como essa, quase perto das férias de verão.

As férias de verão não seriam tão animadas, eu imaginava, já que nem eu e nem Amber tínhamos planos para aproveitá-las e, como seria nossas primeiras férias sem nossos pais, não estávamos muito ansiosas também.
Tudo bem que não seria o fim do mundo, talvez eu pudesse planejar uma ida a praia ou Amber já estivesse fazendo isso, mas no momento, eu só tinha animo para me arrastar até a cozinha, quase escorregando no maldito tapete vermelho da escada. Se um dia eu caísse e quebrasse o pescoço, voltaria para assombrar meus tios.

Passei pela sala a passos lentos e de pijama - me lembro de estar de pijamas quando subi para o terraço. Pensei que veria meus tios lá ou Amber, mas Amber dormia e meus tios eu já não via a semanas, coisa bem freqüente, aliás. Nem mesmo em festas comemorativas eu os via, pareciam fantasmas parasitando a casa duas ou três vezes ao mês.

Pensei em me jogar no sofá, mas na certa dormiria e ficaria por lá mesmo e como havia me empenhado em ficar acordada, achei melhor preparar um café e me entupir de cafeína, a única coisa que me deixava mais elétrica do que vodka ou - que Amber nunca saiba - absinto. Não que eu tenha costume de ficar bêbada, talvez antes eu tivesse, mas agora é só mesmo quando Amber ou Josh não estão por perto.

Quando estava quase me aproximando da cozinha - branca em total contraste com a sala de paredes creme e sofás vermelhos -, notei um livro sobre a poltrona em frente a lareira - que dava duas de mim ou eu e Amber juntas. Vi o livro que Josh tinha dado à mim e Amber para que lêssemos, mas eu, num ligeiro ataque de displicência, apenas ignorei e o deixei sobre o sofá, com Amber, que na certa se esqueceu dele quando começou a tagalerar e gargalhar com Josh.

Voltei para a sala e apanhei o livro, me jogando na poltrona. Só uma coisa me deixava mais elétrica que cafeína e vodca: curiosidade.
Eu não costumava ser curiosa, por isso, quando estava me empenhava até saciar minha curiosidade e, no caso, não precisei de muito esforço.
Abri o livro e comecei a folheá-lo. Li algumas palavras - me surpreendendo por entende-las - e lobo comecei pelo primeiro capítulo.
Não me assustei ao notar que ele falava sobre coisas da Grécia e histórias sobre Deuses do Olimpo. Era costume de Josh falar sobre isso, ele parecia ter uma certa fissura com esse tipo de assunto, o que era engraçado, senão peculiar.

Li ele devorando cada página, linha por linha. Não sabia como era bom poder ler um livro e imaginar tudo que está escrito, sem que alguém tenha que falar ou me instruir.
Estava sendo ótimo, por mais que eu não entendesse o motivo do presente, não estava me importando muito. Só me encantava pelo assunto e pelas figuras e por tudo o mais que se falava sobre a Grécia.
Não sabia se era o livro ou o vicio de Josh que havia passado para mim, mas fiquei boas horas o lendo, até que notasse Amber se aproximar. Se é que eu notei...

Amber sequer disse bom dia ou qualquer coisa que fosse, se sentou ao meu lado na poltrona e ambas nos empenhamos em ler linha por linha, página por página e assim as horas iam passando sem que sequer tivéssemos notado que não tínhamos tomado café e ainda estávamos de pijama.

Ares, Athena, Hera, Zeus, Poseidon... Tudo sobre eles. Cada mito, cada curiosidade, cada detalhe. Tudo em um livro de mais de mil páginas que eu e Amber não conseguíamos parar de ler.
Falavam sobre seus filhos e sobre Cronos. Sobre sátiros e ninfas. Sobre heróis e vilões e numa mistura de história e narrações, iam prendendo nossa atenção a ponto de sequer nos olharmos direito e só parando para rir de algo ou sorrir uma para outra.


Quando foi exatamente quatro horas da tarde, Josh bateu à nossa porta. Não fui eu quem abri, como Amber sabia que era ele, foi ela quem atendeu e rápido demais para o meu gosto.
- Hey loirinho! - disse quando Josh se aproximou e eu ainda não havia tirado os olhos do livro
- Vejo que vocês gostaram. - ele comentou vendo nossa euforia com o livro, tanto que desta vez Amber e ele nem sequer trocaram mais que duas palavras, ela logo se sentou ao meu lado na poltrona e voltamos a ler de onde havíamos parado.

Não me lembro o que fizemos o restante do domingo, acho que ficamos o dia todo lendo, afinal, tínhamos que aproveitar depois de 16 anos sem conseguir ler nem uma linha.
A noite comemos pizza e deixamos o livro de lado, enquanto nos jogamos na poltrona e assistíamos a um filme romântico, por mais que eu insistisse veemente que fosse algum de terror. Sabe, coisas do tipo que mancham a TV de sangue me entusiasmam, mas como minha opinião era minoria, vemos um dramático mais bonito, digo, para um filme de romance era até interessante.

Não dormimos tarde, infelizmente, por insistência de Josh, já que teríamos que acordar cedo amanha para o recomeço das aulas.
Eu mal podia esperar pelas férias de verão, poder acordar tarde e freqüentar festas até a hora que eu quisesse era algo sem preço, a única desvantagem eram os últimos dias de aula, onde teríamos provas, trabalhos e um baile!

Veja bem, eu gosto de festas. Qualquer festa, menos baile.
E não só porque era um festejo desanimado com musica desanimada e pessoas desanimadas. Mas porque bailes me lembravam coisas que eu simplesmente conseguia ignorar 99% do meu dia, coisas que eu não fazia questão de lembrar. Eu sei que baile é tudo a mesma coisa, música lenta e garotos loucos para levar garotas idiotas pra fora da festa, mais especificamente um motel e olha que eles nem precisam beber muito para isso, aliás, em bailes não tem bebida, ao menos não bebidas alcoólicas.
Eu sei que eu não deveria destruir minha vida por um garoto idiota, e eu não estou destruindo minha vida, a propósito, mas eu também tinha outros motivos para não ir a bailes escolares.
O primeiro de todos era a falta de diversão.
Onde uma festa pode ser festa sem musica alta e cervejas? Só mesmo na cabeça ultrapassada dos meu professores.
Segundo: eu não tinha fantasia e mesmo que arrumasse uma, acho que não gostava de sair me fantasiando por aí.
Terceiro: eu já tinha planos bem animados para a noite do baile e isso incluía muita farra com os amigos, aqueles que assim como eu não são ligados em festas colegiais. Mas devo confessar que eram raros aqueles que não queriam ir ao baile, porque o colégio inteiro parecia ter adquirido um vírus e estavam completamente mudados, como se falassem só sobre bailes e festas e fantasias e casais...

Quando fomos na escola, segunda feira, eu pude notar isso. Parecia que a escola tinha sofrido uma reforma e estava toda com as cores do baile - que eram mais cores quentes como marrom ou laranja. As pessoas já compravam suas fantasias e até Amber e Josh pareciam ter sido atingidos por essa febre o que de certo modo era bom, quer dizer, era uma baile de casais, quem sabe fosse juntos?
NÃO! De forma alguma, porque se Josh fosse eu teria que ir, ainda mais sendo uma festa de casais, nunca que eu deixaria minha irmã sozinha na mão daquele loirinho. Não mesmo! Eu confiava em Josh, não completamente, mas um pouquinho, só que não era o suficiente para deixar que ele fosse com Amber para o baile, porque em bailes as pessoas mudam e fazem coisas das quais vão se arrepender muito no dia seguinte, eu mesma sabia por experiência própria.

Quando chegou o dia do baile eu já tinha me decidido. Por mais que não quisesse eu iria. Simplesmente porque Josh disse que iria e eu iria por que ele vai, assim como Amber só que por razões diferentes.

No sábado de baile, Amber já tinha providenciado nossas fantasias, era o mesmo modelo, algo como bruxa e princesa, ela disse me passando a minha fantasia roxa e tirando a sua lilás do armário.
Eu vestiria para não decepcioná-la, mas sequer saber não fazia muito meu estilo nos vestirmos iguais, por isso o cabelo preto.
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MensagemAssunto: Re: Jackie Swann - Deméter's   Qua Jun 24, 2009 4:54 pm

Eu fiquei atenta a qualquer tilintar da campainha, se Josh chegasse eu queria ter uma conversinha com ele, antes de irmos para o baile.
- Porque olha tanto pra fora? - perguntou Amber, notando que mais uma vez eu estava olhando para fora do meu quarto, mais especificamente para a escadaria, que dava para a sala que era onde Josh bateria a porta.
- Nada! - falei me olhando no espelho e evitando encará-la. Eu costumava mentir bem para as pessoas, de menos para Amber. Era praticamente impossível ela não perceber meu olhar afastado e minha postura rígida
- Mentirosa. - falou me apontando com o dedo - Está vendo se Josh vem não é? - perguntou se aproximando de mim e arrumando a parte de baixo da fantasia, enquanto me olhava pelo espelho - Ele não vai passar aqui. - disse indiferente, mas tinha uma pontada de curiosidade na sua voz, assim como eu sou para ela, Amber também era transparente para mim. - Mas porque a euforia? - perguntou como se estivesse sem interesse, mas eu sabia que ali tinha muito interesse e preocupação também.
- Porque preciso falar com ele.
- O que? - perguntou rapidamente, cortando minha frase
- Sobre você. - disse dando de ombros e me aproximando da cama onde tinha a maquiagem
- Eu?
- É, tenho que saber quais as intenções dele.
- Ele não tem intenções e nem eu. - disse áspera e eu sabia que o fato de ele não ter ido lá a buscar tinha a deixado magoada e, a mim, irritada. Como assim ele iria com ela para o baile e não a veio buscar?
- Mas se vocês vão juntos porque ele não te buscou?
- Vamos nos encontrar no baile mesmo... - respondeu pegando a sombra e o pó em cima da cama, onde eu estava tranquilamente sentada sem nenhum animo para maquiagens -... E vamos juntos os três. - completou indo até o banheiro e terminando de se arrumar lá.

Okay! Eu iria matar um garoto no baile então, de certa forma, as coisas estavam sendo bem mais animadas do que eu tinha julgado a princípio.
Chegamos e a musica desanimada, já tocava lenta ao fundo, bem baixo, quase não dava para ouvir.
Disse para Amber que iria pegar um ponche e que ela me esperasse junto das outras garotas.
Eu não ia pegar um ponche, talvez o fizesse para afogar Josh nele, mas na realidade eu iria procurar pelo garoto fantasiado de guerreiro e exigir que ele fizesse alguma coisa em relação a Amber ou eu faria contra ele.
Eu sabia que Josh gostava dela. Qual é? Qualquer um perceberia a cara de embriagado que ele faz sempre que se encontram e sempre que estão conversando - geralmente quando Jackie está sendo ignorada - então porque cargas d'água ele não fazia nada, nós iríamos descobrir hoje.

Andei por todo o baile, não dei muita atenção a decoração, mas sabia que tinha bastantes flores rosas e roxas, que o piso da quadra havia sido coberto de grama artificial e que as paredes, antes creme, agora estavam preenchidas com um rosa claro e detalhes em flores azuis e brancas. Realmente lindo. Eu parei algumas vezes para ver, confesso, mas logo voltei a andar e até subi no pequeno palco que montaram de improviso - para o som e os recados - tentando achar algum sinal de Josh. Nada, absolutamente nada.
Fechei a cara e voltei para o lado das garotas, sem o ponche que eu havia esquecido.

- E o ponche? - perguntou Clarisse, uma das garotas
- Já bebi. - menti dando de ombros
- Tanto faz. - ela disse - Hey! Viu que a Amber já tá de paquera? - falou me dando um cutucão e apontando para um homem metido em uma fantasia estranha que lhe cobria toda a face. Amber o olhava também, mas não parecia estar paquerando, parecia mais curiosa do que interessada.
- Quem é? - perguntei, o olhando também, ele não tirava os olhos da nossa direção e isso já estava começando a me preocupar
- Não sei. Deve ser o mais velho dos Cold, fiquei sabendo que ele viria todo de negro. É um gato se quer saber.
- Eu sei. - falei automaticamente. Ah e eu sabia e como! - Ambs... - chamei me aproximando, então ela desviou o olhar do homem e se voltou para mim, me olhando com um sorriso. - Achou ele? - perguntou com um ar de glória
- Não. - respondi me dando por vencida, ela sabia que eu estava atrás de Josh e sabia que era para matá-lo caso ele não se apresentasse logo.

Como se ele tivesse lido meus pensamentos e se materializado, logo apareceu na entrada da quadra, com a roupa de guerreiro que disse que viria. (Uma coisa tenho que confessar: Amber tinha um bom gosto inegável e ele estava mesmo muito lindo com o cabelo todo rebelde e o sorriso branco e tímido na face.)

Ele se aproximou e a medida que se aproximava sumia o sorriso do rosto, dando lugar a uma expressão de preocupação, sobre tudo com Amber, que nem mais se lembrava do homem mascarado, sua atenção era completamente direcionada a Josh, que a olhava da mesma forma, só que se virou algumas vezes para ver o homem, como se a presença dele o irritasse. Bem, também estava me irritando.
- Tudo bem? - perguntou para mim e Amber, mais para Amber. Já estava me acostumando a ser ignorada.
- Sim, mas parece que pra aquele menino não - disse uma intrometida de nome Michele, nos cortando antes mesmo que pudéssemos responder. - Parece que Amber está despertando corações. - falou rindo e as outras a acompanhou com risadinhas fracas e comentários bestas.

Josh não tinha gostada. Olhou para o homem com uma expressão de raiva e depois para nós com cautela. Para mim ele olhava de uma forma diferente, só preocupação. Com Amber ele parecia zangado, como se ela também estivesse dando atenção para o outro homem e ele não tivesse gostando nada disso. Ciúmes. Óbvio e claro!
Eu olhei para ele com uma cara de cúmplice e revirei os olhos puxando ele e Amber em direção a mesa dos refrigerantes.
- Não se preocupe Amber, aquele garoto não é nenhum tipo de monstro, esquece ele. - falei alto para que Josh ouvisse. Afinal, antes ele pensasse que ela estava olhando o garoto mais por cisma do que por paquera o que acho que era verdade. Amber não parecia interessada só curiosa, como eu disse.

A festa não durou tão tarde quanto eu pensei, o que foi bom, pela primeira vez me senti contente de sair cedo de uma festa, afinal, aquela tinha acabado no momento em que aquele homem estranho ficou encarando minha irmã e eu tinha algum pressentimento de que Josh conhecia ele.
Josh nos levou em casa, ele mesmo havia pedido para que fossemos embora, não estava se sentindo bem. E mais uma vez aquele pressentimento de que ele só não queria ficar mais naquele baile. Bom, eu até desmaiaria se fosse preciso para sair de lá, então aproveitei a primeira chance que tive e insisti para que fossemos embora.

Apesar do baile ter acabado cedo, a noite foi longa já que Amber, Josh e eu ficamos boas horas conversando em casa. No meu quarto, só para constar. Claro que eu preferia que fosse na sala, ou na cozinha, já que minha bagunça é sagrada, mas como as únicas opções eram meu quarto e o quarto de Amber - o qual Josh nunca visitará -, optei para que Josh visse como era meu cantinho secreto, roxo e abarrotado de posters de The Who, Nirvana, Creedence e Aerosmith.

Acho que era umas duas da manhã quando eu me joguei em minha cama, cheia de CD's e totalmente desorganizada, suspirando alto e bocejando de sono.
- Acho que falamos muito para uma noite só. - comentei me deitando de lado.
Amber e Josh estavam sentados na cama, um de frente para o outro, enquanto Amber parecia vidrada nos olhos claros de Josh, ele evitava olhar para ela e parecia frustrado, como se faltasse mais alguma coisa depois de toda aquela conversa que tivemos. Imaginei que faltasse, já que falamos de férias, de estudos, de colegas, livros, filmes e músicas, mas nada relacionado ao baile. Sequer tocamos nessa palavra, eu por ter me esquecido completamente disso, Amber por não dar a mínima importância - assim como eu - e Josh como se estivesse querendo evitar isso.
- Então... - eu falei deslizando meu dedo sobre o edredom azul que cobria minha cama - Mais alguma coisa que queiram falar? - perguntei, mais diretamente para Josh, como se estivesse o encorajando a dizer, mesmo que aquele olhar fosse mais de ameaça, mas ignoremos os detalhes.
- Nada. - Amber falou dando de ombros e então acrescentou - Acho que falamos coisas para um ano inteiro. - ela sorriu e Josh não respondeu. Fiquei quieto, pensativo por algum momento e meus olhos foram dele para Amber de volta para ele. Ele não a encarava, mas ela já o olhava como se soubesse o que ele queria dizer.
- Posso ficar? - ele pediu por fim, depois de uns longos minutos calado e de cabeça baixa.
- Acho que está um pouco tarde pra ir, não acha? - falei obviamente, com um sorriso no canto dos lábios. Me levantei com muito sacrifício, o que encorajou que fizessem o mesmo e me direcionei para o banheiro. Estava louca para tirar aquela fantasia e já deveria ter feito à horas.

Eu tomei um banho rápido, dispensando muitos luxos, só tirei a maquiagem e me vesti com meu pijama - na realidade era uma blusa larga e cinza e um short curto e branco. Depois de mim foi a vez de Josh tomar banho, no meu chuveiro - não que eu tivesse gostado - e colocou uma de minhas blusas largas, junto de uma calça de moleton que "pegamos emprestado" do nosso tio.

Pensei que depois do banho eles estivessem cansados e relaxados o bastante para querem dormir, mas então, depois da idéia genial de nos reunirmos na sala, eles voltaram a falar tanto quanto antes e os mesmos assuntos diversos. Eu me limitei a só prestar atenção, enquanto encostei minha cabeça no braço do sofá e ouvia Josh contando um dos contos do Olimpo, que ele leu nos livros de aventura da sua casa.
Quando ele terminou, soltou um suspiro e se sentou de novo no tapete, perto de Amber e encostado no pé do sofá.
Ele iria começar a dizer outra coisa, mas foi rapidamente interrompido por Ambs.
- Diga logo o que quer, Josh. - ela falou o encarando. Amber o conhecia o suficiente para saber que toda aquela conversa de Josh tinha um fundo a mais do que aparentava e foi por isso que ela foi direto ao ponto. Me orgulhei dela por isso.
Um silêncio mortificante tomou conta da sala e a gente só ouvia a madeira crepitando na lareira e todo o laranja e vermelho da fogueira inundando a sala escura.
Por fim, ele relaxou e disse:
- Ahn... Eu queria chamar vocês duas pra um acampamento de verão. - falou pensando um pouco e prosseguindo - Eu não queria ficar sozinho. - para mim aquilo parecia mais uma desculpa, mas tudo bem, a idéia do acampamento veio a calhar, já que eu fiquei um bom tempo me torturando sem saber o que fazer no verão. - É um acampamento como os outros, mas são divididos em chalés, são 12 chalés e cada um com nome de um Deus do Olimpo.
- Há! Eu sabia. - eu disse me empolgando e me sentando - Se não tivesse algo relacionado ao Olimpo então eu começaria a suspeitar que esse não era o loirinho que eu conheço. - falei rindo e Amber me acompanhou.
É claro que teria de haver algo relacionado ao Olimpo. Afinal, Josh Calling exala cultura Olimpiana, ele simplesmente é fissurado nisso. O que é intrigante, mas cada um tem seu vício.

Ele nos animou com a idéia, contou tudo sobre o acampamento, sobre os esportes e sobre as pessoas de lá. Eu gostei da idéia logo de início e Amber iria para qualquer lugar que Josh e eu fossemos, então só faltava a aprovação dos nossos tios para que tudo desse certo. Não faltava nada, tecnicamente, já que nossos tios não se importaria nem se disséssemos que é um acampamento de sado-masoquistas.

- Acho que vou indo, pessoas. - falei baixo, em um certo momento da conversa e me levantei, enquanto eles sequer notaram meu movimento. - Tchau! - despedi-me irritada.
- Tchau Jackie, já vamos dormir. - apressou-se Amber
- Já vamos dormir o Josh na sala e você no seu quarto. - disse eu, olhando ameaçadoramente para Josh.
- Sim senhora. - ele falou, colocando a mão sobre a cabeça, como se fosse um soldado.
- Bom. - eu murmurei me arrastando até a escada e subindo cada degrau como se fossem do tamanho de um precipício.
Eu quase desmaiei de sono enquanto subia o último degrau, mas ainda estava com os ouvidos atentos a tempo de ouvir Amber, na sala, perguntando a Josh:
- Tem mais alguma coisa que queria falar? - ela perguntou olhando em seus olhos. E eu não sabia disso só pelo tom de sua voz, cautelosa e matreira, mas porque, sim, eu me virei e me sentei na escada, vendo os dois proximos um do outro.
Não estava vigiando, só cuidando para que a mão de Josh continuasse onde estava, quieta e parada em cima da sua perna, caso contrário sua mão não estaria nem mesmo grudada ao corpo.
- Nada demais, Ambs. - ele disse desviando os olhos do dela
- Sei... - ela murmurou se virando para o outro lado também - Então porque não diz isso olhando nos meus olhos? - péssima idéia! Péssima idéia! A troca de olhares é só o primeiro passo para um beijo e um beijo dá espaço para toques e toques dão liberdade para outras coisas que se acontecessem eu mataria o Josh, a Amber, a Tonya - que aliás havia virado fumaça depois que Josh apareceu -, meus tios e me matava só para não ser presa.


Última edição por Gaia em Sex Jun 26, 2009 3:18 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Jackie Swann - Deméter's   Qua Jun 24, 2009 4:54 pm

- Olha Ambs.. - ele disse se virando para ela - É que eu tenho medo... - confessou e nesse momento já trocavam olhares, bem penetrantes devo dizer e com bastantes sentimentos, recíprocos! - Tenho medo de perder sua amizade... - ele deu uma pausa e acrescentou - e a da Jackie. - olha, ele se lembrou que eu existo, que bonitinho.
- E perderia porque? - Amber perguntou com um sorriso carinhoso no rosto
- Sei lá... - Josh deu de ombros e depois suspirou, abaixando a cabeça e cortando aquela energia que transpassava no olhar de ambos - Bobeira minha. - falou abrindo um sorriso e erguendo a cabeça para olhar Amber novamente. Isso me parecia mais novela mexicana, mas de qualquer forma achei fofo, só fofo, não que eu não tenha ficado de olho para qualquer eventual aproximação.
- Own!! - Amber exclamou e se aproximou dele.
Aproximação, isso era um sinal amarelo para que eu ficasse atenta caso ouvesse algo além disso. Josh também se aproximou e isso me deixou mais alerta e mais alerta ainda quando ambos se abraçaram. Foi um abraço um pouco demorado, mas eu não interrompi, simplesmente porque não consegui.
Josh a abraçou apertado, como se realmente temesse por alguma coisa e Amber retribuiu com um sorriso, não tinha temor em sua face, era mais alegria.
Eles se afastaram de vagar e Josh acariciou o rosto de Amber, que continha um sorriso que eu não me lembrava de ter visto a muito tempo, muito tempo mesmo. Vendo isso não tinha como eu interferir, mesmo sabendo que isso ultrapassava os limites que eu havia imposto.
- Acho que está tarde. - Josh sussurrou, afastando sua mão.
- É... - Amber havia substituído o sorriso por uma expressão de decepção e se levantou quando Josh, em pé, lhe ofereceu ajuda.

Eu também fui para o meu quarto àquela hora. Acho que não tinha mais nada para ver, só fiquei mais alguns minutos na porta do meu quarto vendo se Amber tinha entrado sozinha em seu quarto.

Na manhã seguinte eu não conseguia abrir os olhos. Parecia que eu tinha bebida tequila e vodka tudo na mesma noite. Acho que foi umas duas da tarde quando eu consegui me levantar, a muito custo e acordar Josh e Amber. O que foi bom nisso é que eu e Amber dormimos tranqüilas como quase nunca dormíamos, os sonos sempre eram interrompidos por acordarmos assustadas ou nos agitando sobre a cama
Mas, enfim, era domingo, a tarde, para que nos preocuparmos com horas?
De qualquer forma eu os acordei, porque hoje nós teríamos que aproveitar a volta dos nossos tios e conversar com eles sobre o assunto de ontem a noite - ou hoje de madrugada, que seja - sobre irmos para o acampamento de verão muito estranho de Josh.
Veja bem, eu devia estar mesmo muito desesperada para arrumar um programa para as férias, do contrário nunca iria e nem deixaria Amber ir para um acampamento de verão super estranho que um garoto nos chamou pra ir. Claro que eu esperava que nossos tios pensassem o mesmo e abrisse nossos olhos, mas eles sequer apareceram no domingo e só chegamos a falar com eles quando já estávamos nos arrumando para o acampamento, quase saindo. De qualquer forma eles não estavam nem aí, como eu já tinha imaginado e como eu imaginei, eles sequer fizeram mais do que duas perguntas e já nos deixaram ir, com apenas uma condição: Tonya nos levaria até o acampamento e depois voltaria para casa.

Tudo bem, tudo azul até o dia em que iríamos para o acampamento - ou seja, uma semana depois que Josh nos convidou - perdemos mais tempo arrumando nossas malas e conversando sobre acampamento do que fazendo qualquer outra coisa.
Minha cisma já havia passado e eu estava ansiosa e euforia com esse, algo me dizia que coisas boas estavam para acontecer... Ou não, não confio muito nos meus instintos, eles sempre me enganam.
Enfim, eu não tinha tantas roupas para levar, na verdade não queria levar muita coisa, uma mala só era o bastante para passar alguns meses fora de casa. Já Amber também não extrapolou, de forma que na manhã em que partiríamos já tínhamos tudo arrumado e havíamos acabado de conversar com nossos tios, só faltava Tonya.

- TONYA! - eu chamei pela quarta vezes, descendo os degraus com cautela e carregando minha mala até a sala, onde estava Josh e Amber terminava de arrumar suas coisas em cima do sofá.
- Já vai. - ela falou saindo da cozinha e limpando sua mão no avental, como fazia de costume. É claro que eu conhecia os costumes de Tonya, afinal, ela passou um bom tempo com a gente, nos ajudando na tarefas escolares e nos aconselhando de várias formas, ela era a presença adulta que não tínhamos em casa por parte de nossos tios e eu achei bem estranho quando ela começou a se afastar de repente, assim que voltamos aos estudos.
- Vamos? - perguntei erguendo uma sobrancelha e olhando Amber brigar com sua bolsa
- Eu ajudo! - Josh se ofereceu e enquanto ele e Amber ainda lutavam com a bolsa, eu me voltei para Tonya com um olhar especulativo.
A olhei de cima em baixo, porque tinha algo estranho nela, talvez uma energia estranha, como se fosse uma criança sapeca que quebrou o vidro da janela e tinha medo de contar aos pais. O mesmo se passava com Josh, mas ele conseguia ser mais discreto.
- Algum problema? - perguntei para ela e voltei meu olhar para Josh, que se aproximava segurando a bolsa de Amber com uma mão e passando a outra pelo cabelo, como frustração.
- Nenhum, Jackie. - Tonya falou e Josh assentiu, saindo da sala e se aproximando da porta.

Nós fomos no carro de Tonya. Josh insistiu que não fossemos no nosso carro, que lá não teria onde deixá-lo e que os garotos poderiam estragar ele. Tudo bem, mesmo eu achando que ele odiava meu carro e tinha medo de mim dirigindo qualquer coisa que tenha rodas. Mas eu também não queria dirigir, estava feliz admirando o caminho até o acampamento e devo dizer que era um longo e admirável caminho.
Muito longo, mas maravilhoso. Eu já poderia imaginar que lá era rodeado de montanhas e árvores e florestas, o que já era bem atrativo para mim, porque simplesmente não consigo me acostumar com coisas tecnológicas da cidade e sempre fui mais apegada ao campo, desde pequena, quando íamos passar as férias na chácara da família.
Amber era exatamente igual a mim nesse aspecto e seus olhos brilhavam como o sol por detrás daquelas nuvens espessas e raiava laranja no topo da colina.
- O que estão achando? - Josh perguntou em algum momento do caminho
- Maravilhoso! - Amber disse encantada e eu estava igual, com o mesmo olhar abobalhado e quase babando no acento do carro.
- Já estamos chegando. - ele falou do meu lado. Eu fiquei no meio, Amber de um lado e Josh do outro. Não por maldade, só precaução, depois daquele abraço cheio de segundas e terceiras intenções eu tinha que cuidar para que não passasse disso e se passasse que não passasse de beijos e só, o resto é depois do casamento.

Não demoramos mesmo para chegarmos. Mais alguns quilômetros de montanhas verdes e asfalto quente e lá estávamos nós, de frente para o uma colina enorme e o acampamento ficava no topo dela.
Tonya não subiu mais, nos deixou no pé da colina e, depois de nos despedirmos, nos acompanhou até que sumíssemos de vista. Então, lá em cima, eu pude ver seu peculiar carrinho amarelo voltar para a estrada e ir em ruma a Nova Iorque.
Subimos alguns bons minutos de colina, parando só um pouco para admirar a vista e recuperar o fôlego, logo já avistamos uma placa enorme escrita: "Acampamento meio-sangue".
Eu arqueei minhas sobrancelhas e olhei para Josh especulativamente:
- Nome legal. - falei sarcástica e dei mais alguns passos rápidos, alcançando o topo da colina e vendo o acampamento todo da onde eu estava.
Era um acampamento, aparentemente como os outros, não fosse o aspecto grego que as colunas de mármore transmitiam e algumas casinhas brancas em formas e estilos peculiares, todas lembrando alguma parte da Roma antiga.
Tudo bem até o momento. Josh nos falou sobre o acampamento ser relacionado ao Olimpo e coisas do gênero. Claro que ele não falou da grama verde e bem tratada e nem das pedrinhas brancas de mármore que nos levavam direto a uma casa de estilo delicado e floral.
A casa era simples, mas não comum. Não do tipo que você vê sempre em Nova Iorque, ou na rua da sua casa mesmo.
Ela era toda cercada por flores e gramado espesso. Suas paredes eram recobertas por pés de tomate e o teto, ao invés de telhado, tinha grama verde e bem cuidada.
Eu achei perfeita e já até poderia imaginar como se chamava aquele chalé.
- Deméter. – eu murmurei, sem, até então, dar conta do que estava acontecendo.
Nem eu e nem Amber havíamos percebido nada de anormal nas crianças e adolescentes correndo com o uniforme do acampamento, exceto a cor laranja das camisas, aquilo era completamente ridículo.
Continuei andando alguns metros em direção a casa, junto de Amber, porém Josh tinha ficado para trás
- Hey loirinho! - chamei, me virando para trás e acenando com a mão – Não vem?
- Jackie... – Amber sussurrou ao meu lado e eu não me virei
- Espere... – disse para ela – Josh? Okay, acabou a brincadeira... – me zanguei vendo que ele não viria
- Jackie! – Amber chamou mais alto
- Espera! – falei mais alto e me virei para frente – Não vê que estou... – mas então minha voz falhou e eu não consegui pronunciar mais nada vendo aquele à minha frente.
O que era aquilo?
Alguém fantasiado de cavalo?
Ah é! Dã... Centauros, Grécia... Era alguma coisa do acampamento não?
Mas porque aquelas outras pessoas estavam vestidas de bode? E porque se aproximavam de nós como se fóssemos algum pedaço de carne?
Eu estava prestes a perguntar isso para Josh, quando Amber tomou a iniciativa.
- Ahn... Josh? Existe algo que esqueceu de nos contar? – ela falou se virando para ele e tão extasiada quanto eu, que permaneci de boca aberta e olhos arregalados.
Me virei para Josh e cruzei os braços, erguendo uma sobrancelha...
- Queira nos explicar?
E eu ainda tinha a esperança de que aquilo fossem apenas fantasias...”


E foi exatamente assim que eu cheguei aqui. Sentada em uma cama totalmente desconhecida e admirando a pulseira com o pequeno pingente no formato de trigo que eu e Amber pacoviamente achamos ser apenas um presente com um significado simples. Claro que não imaginávamos que esse presente significava que eu e Amber éramos nada mais nada menos que filhas de Deméter e que vivemos 16 anos em uma mentira que, devemos dizer, era até bondosa, já que apesar de não ser nossa mãe Luize sempre agiu como se fosse e nunca nos deixou descobrir, bem, o que descobrimos. Então eu não estou revoltada por isso, na realidade, não queria ter descoberto isso, talvez teria sido melhor se continuassem com a mentira, digo, se não tivessem morrido e continuassem com a mentira, porque agora tanto faz e até acho bom ter uma mãe, não que seja fácil ser filha de uma Deusa e ter milhares de irmãos, mas eu acho que agüento, eu tenho que agüentar, afinal, não é justo para Amber e nem para mim mesma continuar me lamuriando pelo passado e nem ansiando pelo futuro.

Um passo de cada vez Jackie...
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